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Ataque a Donald Trump faz investidores recuarem? Analistas explicam

Economista fala sobre incertezas no mercado financeiro

Por Veruska Costa Donato 27 abr 2026, 14h36 | Atualizado em 27 abr 2026, 15h19
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O atentado contra o presidente Donald Trump reacendeu um ambiente de forte insegurança no mercado internacional e ampliou o receio dos investidores. Segundo o economista Reinaldo Cafeo, episódios como esse criam um “ambiente maligno do ponto de vista político”, justamente porque o capital busca previsibilidade e estabilidade. Quando o cenário fica mais nebuloso, a tendência natural é o investidor colocar o pé no freio, reduzindo novos aportes e adiando decisões estratégicas.

Risco e retorno

Essa relação entre risco e retorno, explica Cafeo, afeta diretamente o ritmo da economia mundial. Quanto maior a percepção de instabilidade, menor o apetite por investimentos e, consequentemente, menor o potencial de crescimento global. O cenário se agrava com as dúvidas sobre o futuro da política monetária nos Estados Unidos, especialmente diante da possível saída de Jerome Powell do comando do Federal Reserve e da chegada de Kevin Warsh, o que levanta receios sobre uma condução mais flexível dos juros mesmo com a inflação ainda resistente.

IPCA-15 nesta terça-feira

No Brasil, a inflação voltou a ganhar força após um breve período de alívio. Cafeo destaca que a crise geopolítica envolvendo Irã e petróleo contaminou novamente os preços e reacendeu a pressão inflacionária. Mesmo com o dólar em trajetória de queda, o peso do petróleo internacional sobre o óleo diesel afeta diretamente o transporte rodoviário, principal base logística do país, encarecendo fretes e, por consequência, praticamente toda a cadeia de preços.

Comida mais cara

Além disso, o economista chama atenção para aquilo que o brasileiro sente de forma mais imediata: a carestia dos alimentos e o aumento das despesas com energia elétrica, agora pressionadas também pela bandeira amarela. Segundo ele, os preços na ponta não recuam e isso reduz o poder de compra da população, principalmente da classe trabalhadora, que sente primeiro e com mais intensidade a inflação no supermercado e nas contas básicas do mês.

Cautela no Copom

Diante desse cenário, a expectativa para a próxima decisão do Banco Central nesta quarta-feira é de máxima cautela. Cafeo acredita que, na melhor das hipóteses, a Selic pode ter uma redução de apenas 0,25 ponto percentual, mantendo a política monetária ainda bastante restritiva. O mercado já trabalha com a taxa encerrando o ano em 13%, frustrando previsões mais otimistas de cortes maiores e mais rápidos ao longo de 2025.

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Focus mostra ambiente deteriorado

O Boletim Focus reforça essa deterioração. A projeção do IPCA subiu pela sétima semana consecutiva e chegou a 4,86%, acima do teto da meta de inflação de 4,5%. As expectativas para 2027 e 2028 também pioraram, sinalizando uma desancoragem mais duradoura. Ao mesmo tempo, o PIB foi revisado para apenas 1,85%, mostrando um país que cresce menos, convive com juros altos e ainda carrega o peso de ter uma das maiores taxas de juros reais do mundo — uma conta que, no fim, sempre chega primeiro para o bolso do consumidor.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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