IPCA-15 reforça cautela do mercado com corte de juros pelo BC
Economistas projetam cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026
A prévia da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), reforçou a cautela do mercado em relação aos cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic, que deve encerrar 2026 em 13,25% ao ano, segundo economistas consultados por VEJA nesta quarta-feira, 27. No início de 2026, o mercado projetava uma taxa terminal de 12% ao ano — 1,25 ponto percentual abaixo da estimativa atual.
O IPCA-15 avançou 0,62% em maio, mostram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,56%, segundo a mediana de analistas consultados pelo Broadcast. Apesar disso, o índice desacelerou em relação aos 0,89% registrados em abril.
No acumulado de 12 meses até maio, o IPCA-15 registrou alta de 4,64%, acima da projeção de 4,59% do mercado. O resultado representa o rompimento do teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central, de 4,5% em 12 meses.
Para André Valério, economista-sênior do Inter, os dados qualitativos do IPCA ainda exigem cautela. Segundo ele, a média dos núcleos acelerou na margem, passando de 0,47% para 0,48%. Por outro lado, a média móvel de três meses desacelerou para 0,44%, o menor nível desde janeiro.
“Ainda assim, é um patamar elevado para os núcleos. A boa notícia é que, por ora, não há sinais de contaminação do choque do petróleo sobre os demais preços”, afirma Valério.
Já para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o indicador reforça a necessidade de prudência em relação aos cortes de juros. Segundo ele, o fato de o índice ter vindo acima do esperado sustenta a avaliação de que o Banco Central deve agir com cautela na flexibilização monetária.
“Devemos aguardar os dados do IPCA cheio, que podem trazer novas sinalizações para os rumos da política monetária”, diz.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirma que ainda há dificuldade de desaceleração dos componentes mais inerciais da inflação, especialmente os serviços, que respondem mais ao nível de atividade econômica e ao mercado de trabalho do que a choques pontuais.
“Na prática, isso reduz o grau de liberdade do Banco Central, mantém a curva de juros pressionada e eleva o custo de capital de forma transversal, com impacto direto sobre crédito, investimentos e valuation das empresas”, argumenta Lima.
Segundo Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, o resultado deve provocar revisões nas projeções do IPCA de maio e dos meses seguintes. Ainda assim, ele avalia que o cenário não altera, até o momento, a leitura sobre a política monetária, já que o mercado já vinha precificando uma Selic mais elevada nos últimos meses em razão do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Dessa forma, economistas do C6 Bank, Genial e Inter projetam que a Selic encerrará o ano em 13,25%. “Para a reunião de junho, esperamos uma redução de 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,25% ao ano”, conclui Claudia Moreno, economista do C6 Bank.





