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Isaac Sidney: Não podemos esperar 2027 para reformas

Em artigo, presidente da Febraban discute os motivos pelos quais o país não desperdice mais um ano de debates e decisões estruturantes

Por Isaac Sidney 30 jan 2026, 06h00

Quem conhece Brasília de perto sabe que anos eleitorais costumam paralisar avanços e adiar reformas. Mas 2026 não deveria repetir o ritual que a cada dois anos interrompe discussões vitais e rouba tempo precioso que já não temos. Transformar o calendário eleitoral em pretexto para imobilismo é luxo que o Brasil não pode se permitir. A agenda econômica, fiscal e institucional não cabe no modo stand-by. Esperar 2027 não deveria interessar a ninguém, governo ou oposição.

O ciclo de crescimento é moderado: algo como 2,3% do PIB em 2025 e entre 1,5% e 2% em 2026. Seguimos sustentando o crescimento com consumo imediato, e não com investimento e produtividade. O preço disso é alto. Para crescer de forma duradoura, é preciso fortalecer a disciplina fiscal e avançar na agenda de reformas microeconômicas.

Há inegáveis melhorias fiscais e econômicas: menor déficit primário, baixos níveis de desemprego, bom dinamismo do mercado de trabalho, massa salarial e renda puxando o consumo, além de inflação sob controle. Mas a política fiscal ainda é expansionista, o endividamento está em trajetória sensível, os juros estruturais elevados, com ambiente de negócios aquém do potencial de atração de investimentos.

“É imprudente deixar tudo em suspenso por campanhas e palanques”

Essa equação leva a mais gastos e menos investimentos; com oferta restrita, pressiona a dinâmica da inflação e obriga o BC a manter juros mais altos. A Selic está pesada demais, sacrificando consumo, investimento e produção. Mas a Selic é consequência, e não causa. Desperdiçar 2026 é erro estratégico e grave. Deveria ser o ano para continuar ajustando o nível de endividamento e destravar mais reformas para o Brasil ser destino natural de capital privado.

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O setor público perdeu a capacidade de liderar o ciclo de crescimento. Precisamos desesperadamente de investimento privado — robusto, contínuo, de longo prazo. Só o atraímos com mais previsibilidade, estabilidade política e segurança jurídica, ainda maior rigor fiscal e ambiente econômico mais convidativo.

Ainda gastamos muito, os níveis de investimentos são baixos e o ambiente de negócios é pouco atrativo. E, em 2026, a arrecadação deve crescer menos. Temos de aproveitar o alívio do processo de desinflação que o BC imprimiu e o espaço para redução expressiva da Selic — algo aguardado com muita expectativa. O setor bancário vê a economia brasileira com grande potencial e está pronto para financiar projetos transformadores. Mas crises aparecem sem aviso, travam crédito e elevam riscos. É imprudente deixar tudo em suspenso por campanhas e palanques. Num mundo incerto e volátil, o Brasil precisa se blindar.

Precisamos de ajuste fiscal ainda mais profundo, maior recuperação da capacidade de investir, aceleração da produtividade e reconstrução do ambiente de negócios. Isso requer responsabilidade e maturidade institucional. Forças políticas e empresariais precisam superar diferenças e construir um consenso mínimo em torno de uma agenda estrutural. A decisão é coletiva: desperdiçar 2026 ou aproveitá-lo.

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Isaac Sidney é presidente da Febraban

Publicado em VEJA, janeiro de 2026, edição VEJA Negócios nº 22

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