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Juros nos EUA não vão cair mesmo com saída de Jerome Powell

Jerome Powell é substituído com Kevin Warsh no Fed

Por Veruska Costa Donato 15 Maio 2026, 12h48

As mudanças no comando do Federal Reserve voltaram ao centro das atenções do mercado financeiro internacional. Para o professor de economia e estrategista Rodrigo Dumas, a discussão vai muito além da troca de nomes e passa pela dificuldade dos Estados Unidos em controlar a inflação sem comprometer o crescimento econômico. O investidor acompanha de perto a saída de Jerome Powell e a chegada de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, mas sem expectativa de mudanças bruscas na política monetária.

Powell errou

Na avaliação de Dumas, Powell errou ao minimizar os efeitos inflacionários provocados pela pandemia e pela guerra na Ucrânia. “Quem tem culpa disso daí [da inflação] é o Federal Reserve. Por quê? [Jerome Powell] Assustado com a Guerra da Ucrânia, falou: ‘Olha, isso é temporário. Isso é temporário’. Esse choque de oferta temporária deixou de ser temporário, ficou perene”, afirmou. Segundo ele, o Fed demorou a reagir e acabou ficando “atrás da curva”, permitindo que a inflação chegasse perto de 9% antes de elevar os juros de maneira mais agressiva.

Tentando desvendar Kevin

O economista avalia que o mercado agora tenta entender se Kevin Warsh adotará uma postura mais flexível ou manterá a linha atual. Para Dumas, o cenário mais provável é de continuidade. “Mas eu acho que Kevin… eu acho que ele não vai ser um [fator de ruptura]. Já está precificado que vai ser um ‘business as usual’, continua tudo como está”, disse. A leitura predominante entre investidores é que a inflação ainda elevada impede uma mudança rápida de direção na política monetária americana.

Sem corte de juros no curto prazo

Dumas também demonstra ceticismo em relação à possibilidade de cortes de juros no curto prazo. “Como é que você vai reduzir juros no momento desse? Então fica complicado para a economia norte-americana achar que vão reduzir taxa de juros”, afirmou. O desafio do novo presidente do Fed será justamente conduzir a economia de volta à meta de inflação de 2%, em um ambiente ainda pressionado por preços resistentes e crescimento econômico moderado.

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Uso político

Sobre Donald Trump, o estrategista vê um uso político do tema da inflação durante a campanha eleitoral americana. Segundo ele, o republicano utilizou o aumento dos preços como arma contra o ex-presidente Joe Biden. “Trump usou o argumento contra Joe Biden para ele ser reeleito, de que Joe Biden foi culpado de deixar uma inflação bater 9%”, explicou. Na visão de Dumas, porém, a responsabilidade maior estava na condução da política monetária do Fed e não diretamente na Casa Branca.

Fluxo de capital

Embora o debate geopolítico entre Trump e Xi Jinping também esteja no radar dos investidores, Rodrigo Dumas concentrou sua análise nos efeitos econômicos dos juros americanos e da inflação sobre os mercados globais. Para ele, o cenário segue delicado porque decisões tomadas em Washington acabam influenciando diretamente o fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil. Em um ambiente de juros altos nos Estados Unidos, o investidor estrangeiro tende a agir com mais cautela — e isso ajuda a explicar por que qualquer sinal vindo do Fed continua mexendo tanto com o humor do mercado.

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