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Mercados caem com tensão no Oriente Médio

Índice do medo dispara 2% após Trump falar em colapso econômico do Irã

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 abr 2026, 09h05 | Atualizado em 23 abr 2026, 09h17
  • Os principais índices de ações da Europa e dos Estados Unidos operam em baixa nesta quinta-feira, 23, com os investidores acompanhando um novo cessar-fogo na guerra do Oriente Médio. O movimento de queda é influenciado pelas preocupações reforçadas com a interrupção do Estreito de Ormuz e a consequente alta do petróleo, que traz riscos de pressão inflacionária e retomado do ciclo de alta de juros pelos bancos centrais.

    Por volta das 9h, índice alemão, o Dax, recuava 0,40%, a bolsa da Espanha caía 1%, o índice britânico tinha baixa de 0,6%. A bolsa de Paris era a única que subia com alta de 0,22%. No mercado americano, o índice do medo subia 2,7% e o Dow Jones futuros recuava 0,62%.

    Na Ásia, Nikkei caiu 0,75%; o Hang Seng, -0,95%; Xangai perdeu 0,32% e o Shenzhen -0,88%. Em Taiwan, o Taiex caiu 0,43% e, na Coreia do Sul, o Kospi foi exceção, subindo 0,90%.

    Após prorrogar por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã para dar mais tempo às negociações de paz, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 22, que a República Islâmica está em “colapso financeiro” devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.

    O Irã não confirmou de maneira imediata a prorrogação do cessar-fogo. Um navio porta-contêineres foi atingido nesta quarta-feira por disparos iranianos perto da costa de Omã, uma ação que provocou danos, mas nenhuma vítima, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

    Além disso, um cargueiro que deixava o Irã foi imobilizado por disparos, acrescentou a UMKTO, que não relatou danos nem feridos no segundo incidente.

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    Desde o início da guerra no Oriente Médio, deflagrada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, uma rodada de negociações aconteceu em Islamabad, mas terminou sem resultados. O Paquistão, país mediador, tenta organizar outro ciclo de conversações para acabar com um conflito que matou milhares de civis, principalmente no Irã e no Líbano, e abala a economia mundial.

    O ministro iraniano da Agricultura, Gholamreza Nouri, afirmou que o bloqueio naval americano não afetou a capacidade do país de fornecer produtos básicos e alimentos.

    “Quase 85% dos produtos agrícolas e de primeira necessidade são produzidos no país, portanto a segurança alimentar nacional está garantida”, acrescentou.

    Trump atribuiu sua decisão de estender a trégua a um pedido do Paquistão e destacou a necessidade de permitir ao “fraturado” governo iraniano que elabore uma proposta para pôr fim ao conflito. Contudo, afirmou que o bloqueio dos portos iranianos vai continuar.

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    “Ordenei às nossas Forças Armadas que continuem com o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e preparadas, e portanto prolongarei o cessar-fogo até que o Irã apresente uma proposta e as conversas sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, anunciou o presidente americano.

    Trump mencionou, em uma mensagem na sua rede Truth Social, divisões na cúpula do poder iraniano e afirmou que “o Irã está em colapso financeiro” devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o transporte mundial de hidrocarbonetos.

    ‘Dizer adeus ao petróleo’

    O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em seu papel de interlocutor, deu boas-vindas à prorrogação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também elogiou o anúncio, que interpreta como um “avanço importante para a desescalada”, segundo um comunicado de seu porta-voz.

    Antes do anúncio de Trump, o Irã havia ameaçado retomar os ataques contra os países do Golfo e colocar em perigo o abastecimento mundial de petróleo.

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    “Nossos vizinhos do sul devem saber que, se sua geografia e suas instalações são utilizadas a serviço dos inimigos para atacar a nação iraniana, deverão dizer adeus à produção de petróleo no Oriente Médio”, advertiu o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), o exército ideológico do Irã.

    Israel mata um no Líbano

    Na outra frente de batalha da guerra, novas negociações diretas entre Israel e Líbano devem acontecer na quinta-feira em Washington, segundo o governo americano. Assim como as primeiras, em 14 de abril, as conversações serão lideradas pelos embaixadores.

    Segundo a agência oficial libanesa Ani, o Exército israelense detonou várias casas na manhã de quarta-feira em Al Bayada, no sul do país.

    A mesma fonte acrescentou que um ataque israelense na região do Bekaa provocou uma morte. Segundo um balanço oficial divulgado na terça-feira, 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra.

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    ‘Libertar’ as mulheres iranianas

    Antes de anunciar a extensão da trégua, Trump pediu a Teerã que “libertasse” várias mulheres que, segundo ele, estariam ameaçadas de execução. Seria um “começo muito bom para as negociações”, declarou.

    Nesta quarta-feira, o Irã prosseguiu com uma série de execuções ao enforcar um homem condenado por acusações de vínculos com os serviços de inteligência israelenses.

    Em Teerã, onde os principais aeroportos reabriram na segunda-feira após muitas semanas fechados, a vida voltou à normalidade.

    Alguns moradores da capital, contactados pela AFP a partir de Paris, têm aproveitado o cessar-fogo para fazer uma pausa, mas com o temor de que a guerra retorne em breve.

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    “Saí sem estresse, fui caminhar, fui a cafeterias e restaurantes”, contou Mobina Rasoulian, uma estudante de 19 anos que passeava pela capital iraniana.

    (informações da AFP)*

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