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Milei muda lei do Banco Central e enterra herança kirchnerista

Presidente anuncia reforma para blindar autoridade monetária, impedir financiamento ao Tesouro e recolocar o combate à inflação como missão central

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 13h06 | Atualizado em 29 jul 2026, 13h06
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O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciará nesta quarta-feira, 29, uma ampla reforma da Carta Orgânica do Banco Central argentino (BCRA), numa das mudanças institucionais mais profundas desde o governo de Cristina Kirchner.

A proposta pretende devolver à autoridade monetária a missão exclusiva de preservar o valor da moeda e limitar seu uso como instrumento de financiamento do governo.

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A iniciativa marca uma mudança simbólica na trajetória de Milei. Durante a campanha presidencial de 2023, o economista defendia extinguir o Banco Central e chegou a classificá-lo como “a maior fraude da Argentina”.

Agora, após quase três anos de governo, aposta no fortalecimento institucional da autoridade monetária como parte da estratégia para consolidar a desinflação e dar credibilidade ao peso argentino.

O que muda

O principal alvo da reforma é o artigo 3º da Carta Orgânica do Banco Central.

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Antes da reforma promovida pelo governo de Cristina Kirchner, em 2012, a legislação estabelecia que a missão “primária e fundamental” do Banco Central era preservar o valor da moeda.

A mudança promovida durante a gestão de Mercedes Marcó del Pont ampliou esse mandato, incluindo objetivos como estabilidade financeira, promoção do emprego e desenvolvimento econômico com equidade social.

Na avaliação do governo Milei, essa alteração abriu espaço para sucessivas emissões de moeda destinadas a financiar o Tesouro, contribuindo para o avanço da inflação ao longo da última década.

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A proposta pretende reverter esse modelo, restringindo a atuação do Banco Central e reforçando sua independência em relação ao governo federal.

Freio à emissão de dinheiro

Além de redefinir os objetivos da instituição, o projeto pretende limitar novamente os chamados adiantamentos transitórios, mecanismo que permite ao Banco Central emprestar recursos ao Tesouro Nacional.

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Segundo a Casa Rosada, o uso recorrente desse instrumento foi um dos fatores que impulsionaram a expansão da base monetária durante os governos kirchneristas.

Desde dezembro de 2023, o governo afirma que interrompeu o financiamento monetário do déficit público, transformando o equilíbrio fiscal em um dos pilares do programa econômico. A reforma busca transformar essa diretriz em uma proteção permanente da legislação.

Reforma segue recomendação do FMI

A proposta também atende a uma recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na segunda revisão do programa firmado com a Argentina, o organismo defendeu uma reforma legal para fortalecer a independência do Banco Central, aprimorar sua governança e impedir o financiamento monetário do déficit fiscal após a estabilização da economia.

O fortalecimento institucional dos bancos centrais tornou-se uma prática comum após as crises inflacionárias das últimas décadas.

Hoje, instituições como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra possuem como principal mandato preservar a estabilidade de preços.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve acumula um mandato duplo, voltado tanto ao controle da inflação quanto ao pleno emprego.

A inflação no centro da estratégia

A reforma ocorre após a expressiva desaceleração da inflação argentina.

Depois de encerrar 2023 acima de 200% ao ano, o índice fechou 2025 em 31,5%, impulsionado por um programa baseado em forte ajuste fiscal, fim da emissão monetária para financiar o governo e rígido controle da liquidez.

Ao transformar essas diretrizes em mudanças permanentes na legislação, Milei tenta convencer investidores de que o combate à inflação deixará de depender apenas de seu governo e passará a integrar a arquitetura institucional da economia argentina.

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