Morgan Stanley eleva Brasil para compra e vê Ibovespa em até 250 mil pontos
Banco ainda projeta potencial de alta de 15% a 20% para a Bolsa até o fim de 2026, mas cenário depende de mudança na política fiscal
O Morgan Stanley elevou a recomendação para as ações brasileiras de neutra para “overweight”, classificação que indica uma exposição acima da média e equivale a uma recomendação de compra. Mesmo depois da forte valorização da Bolsa após o primeiro turno das eleições, o banco avalia que ainda existe espaço para o Ibovespa avançar entre 15% e 20% ou mais até o fim deste ano.
Em um cenário mais otimista, a instituição vê o movimento se estendendo em 2027 e o principal índice da B3 alcançando a região dos 250 mil pontos. A projeção, no entanto, está condicionada a mudanças na condução da política fiscal e à redução do prêmio de risco dos ativos brasileiros.
A revisão ocorre depois do primeiro turno das eleições presidenciais e do rali registrado pelo mercado brasileiro na segunda-feira, 5. O Ibovespa avançou 7,7% e encerrou aos 206.911 pontos, novo recorde de fechamento e maior alta diária desde março de 2020.
Na avaliação do Morgan Stanley, o resultado das urnas abriu espaço para o que o banco chama de “Great Rebalancing”, ou grande rebalanceamento da economia e dos mercados brasileiros. A tese considera a possibilidade de uma migração de recursos hoje concentrados em renda fixa e caixa para ações e investimentos, caso haja redução da percepção de risco e do custo de capital no país. A instituição associa esse cenário principalmente à expectativa de uma eventual consolidação fiscal. Com juros mais baixos, o banco avalia que poderia haver tanto uma expansão dos múltiplos das empresas negociadas na Bolsa quanto um novo ciclo de investimentos privados.
Quais setores podem se beneficiar
Nesse cenário, o Morgan Stanley vê maior potencial em empresas ligadas aos setores financeiro, de serviços públicos e industrial. O banco também avalia que os benefícios poderiam chegar posteriormente às companhias de consumo, à medida que a melhora das condições financeiras se espalhasse pela economia. A instituição também chama atenção para oportunidades relacionadas a minerais, energia e tecnologia, especialmente diante da possibilidade de o Brasil ampliar sua participação no ciclo global de investimentos em inteligência artificial e infraestrutura digital.
A mudança de avaliação do Morgan Stanley acompanha um movimento de outras instituições internacionais. O J.P. Morgan também elevou recentemente as ações brasileiras de “neutral” para “overweight”, enquanto o Citi aumentou sua exposição ao mercado acionário do país após o primeiro turno.
Apesar da revisão, o Morgan Stanley ressalta que a projeção não está livre de riscos. O segundo turno das eleições ainda será realizado e as expectativas incorporadas aos preços dependem de como será conduzida a política econômica a partir de 2027.
Para o banco, uma consolidação fiscal é condição fundamental para que o Brasil consiga reduzir de maneira mais permanente seu custo de capital. Sem uma melhora das contas públicas, parte da valorização observada nos ativos após o primeiro turno pode não se sustentar.
A instituição considera que uma economia mais apoiada em investimentos privados e ganhos de produtividade, em vez de estímulos fiscais e expansão do crédito, poderia reduzir desequilíbrios macroeconômicos e sustentar prêmios de risco menores no longo prazo. É nesse cenário que o Morgan Stanley enxerga espaço para o Ibovespa continuar avançando e, em sua projeção mais otimista, alcançar os 250 mil pontos em 2027.






