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‘Não aceito a ideia de ceder a Lua à China’, diz fundador da Interlune

Rob Meyerson, founder da primeira empresa do mundo a tentar vender recursos extraídos do espaço conversou com VEJA Negócios

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 29 Maio 2026, 06h00
‘Não aceito a ideia de ceder a Lua à China’, diz fundador da Interlune Priorizar nos meus resultados Google

A Interlune é uma empresa que já vendeu um produto que ainda não extraiu, de um lugar onde ninguém nunca minerou nada. Como funciona esse modelo de negócios? O preço de mercado do hélio-3 é de 20 milhões de dólares por quilograma. É o único elemento no espaço cujo preço é alto o suficiente para justificar a viagem de ida e volta à Lua. Já fechamos mais de 500 milhões de dólares em contratos de fornecimento ao longo de dez anos, a partir de 2028, todos com empresas de computação quântica que precisam do isótopo para resfriar seus computadores.

O governo da China fala em buscar o hélio-3 na Lua para uso em fusão nuclear. Isso está no horizonte da empresa? Tenho um negócio para construir e preciso levantar capital privado. A fusão nuclear ainda não é viável, e não posso ter um plano de negócios dependente disso. Pode ser que demore dez anos, pode ser mais. A demanda da computação quântica pelo hélio-3 é agora. Medimos isso, conversamos com os clientes, confirmamos com contratos.

Como é feita a mineração do hélio-3 na Lua e como trazer o material para a Terra? O processo tem quatro etapas: escavar grandes volumes da superfície lunar, separar as rochas das partículas finas onde o hélio-3 está concentrado, extrair os gases das partículas e, então, separar o hélio-3 de todos os outros gases. O que volta à Terra não é uma carga pesada, mas uma cápsula do tamanho de uma bola de piscina. Para levar as escavadeiras para a Lua, podemos usar foguetes como o Falcon 9, da SpaceX, ou o New Glenn, da Blue Origin. Para trazer essa cápsula de volta para a Terra, o veículo é muito menor, pode pousar em qualquer lugar, e vamos construí-lo nós mesmos.

Qual é a parte mais difícil tecnicamente? Fazer funcionar na Lua o processo de escavação, separação e extração. Todas essas tecnologias existem na Terra. O problema de engenharia é adaptá-las para um ambiente sem atmosfera, sem gravidade e sem ninguém para consertar a máquina se ela quebrar. Não são problemas de ciência, são problemas de engenharia, que estamos resolvendo.

O ecossistema de indústrias do espaço evoluiu muito nos últimos anos? A Interlunar seria mera fantasia dez anos atrás, porque não havia ninguém nos Estados Unidos investindo na construção de módulos de pouso e veículos lunares. Hoje, o programa Artemis e uma meia dúzia de empresas constroem essas máquinas, e podemos simplesmente contratar seus serviços.

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O programa Artemis é indispensável para a Interlune sobreviver? O Artemis sinaliza que o governo vê a Lua como prioridade, o que traz mais investimento privado. Sem ele, o caminho fica mais difícil, mas ainda existe, porque a demanda por hélio-3 para computação quântica independe de qualquer programa espacial. O que não posso aceitar é a ideia de que os Estados Unidos vão ceder a Lua à China. Se não formos à Lua, perderemos o acesso a esses recursos. E corremos o risco de perdê-los para sempre.

Publicado em VEJA, maio de 2026, edição VEJA Negócios nº 26

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