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O que tem piorado avaliação de Lula, segundo economistas

Especialistas falam ao programa Mercado sobre a popularidade em baixa do governo

Por Veruska Costa Donato 15 abr 2026, 11h51 | Atualizado em 15 abr 2026, 12h07

O humor do brasileiro com a economia azedou — e não foi pouco. Os dados mais recentes mostram uma sensação crescente de que a vida ficou mais difícil, mesmo antes de qualquer mudança estrutural mais profunda. A percepção de piora econômica subiu para 50%, enquanto o sentimento de perda do poder de compra avançou para 71%. No supermercado, o impacto é ainda mais direto: 72% já notam preços mais altos, algo que mexe com o bolso e com o humor quase automaticamente.

Desânimo

Esse desânimo também aparece no mercado de trabalho. Mais da metade dos entrevistados, 53%, acredita que está mais difícil conseguir emprego agora. É um sinal relevante porque, mesmo entre quem está trabalhando, cresce o receio de instabilidade. Em economia, essa sensação vale muito: quando as famílias ficam inseguras, o consumo recua, e o ciclo de desaceleração ganha força.

Vibe de recessão

O economista-chefe da Lev DTVM, Jason Vieira, chama esse fenômeno de “vibe de recessão”. Não é necessariamente uma recessão técnica, mas uma percepção coletiva de piora. Segundo ele, há uma desconexão entre números oficiais e a realidade sentida pela população. “O que leva a sensação das pessoas de que a situação está ruim é o que a gente chama de corrosão inflacionária, que tira o poder de compra”, afirma, destacando que alimentação e transporte pressionam especialmente a renda das famílias de menor poder aquisitivo. 

Renda menor

Jason lembra que no ano passado houve um aumento de renda de 0,4% em termos reais, “só 0,4% , agora se nós considerarmos a cesta de consumo mais voltada para a população de baixa renda, você teve uma redução real de 1,5% da renda em 2026, calcula. 

Selic é consequência e não causa

Para o economista, a Selic alta é a consequência e não causa. ” Os juros altos são consequência de uma taxa de gasto público muito elevado, descontrolado. A elevação da dívida pública e percepção de que a dívida entrou numa trajetória ascendente e não vai haver uma resolução nesse sentido”, explica.

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Medo do desemprego

Essa corrosão não aparece apenas nas compras do dia a dia. Ela também se traduz em insegurança profissional. Vieira observa que mesmo pessoas empregadas estão temerosas com o futuro, o que cria um ambiente de cautela. O resultado é um “cansaço geral”, nas palavras do economista, muito mais ligado ao peso econômico do que apenas ao debate político. Quando o bolso aperta, a percepção muda rapidamente.

Menor demanda

O especialista em investimentos Gustavo Trotta acrescenta outro ingrediente: os juros elevados. Para ele, a combinação de risco percebido maior com crédito caro reduz tanto o consumo das famílias quanto o apetite das empresas para investir. “Há uma percepção de menor demanda das famílias e as empresas pensam duas vezes antes de investir”, explica. O efeito é um freio gradual na atividade econômica, que reforça o sentimento negativo.

Vulnerabilidade emocional

Do lado do consumo, a vulnerabilidade emocional também entra na conta. A avaliação é de que notícias externas, como conflitos internacionais, aumentam a expectativa de inflação e deixam o consumidor mais sensível. Nesse ambiente, qualquer rumor de alta de preços ganha força e pode até ser explorado por reajustes antecipados. No fim das contas, a economia real e o psicológico caminham juntos — e, neste momento, ambos apontam para um cenário de maior cautela.

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