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Natura quer que 30% de seus funcionários sejam pretos e pardos até 2030

Aline Lima, diretora de diversidade e inclusão da companhia, diz que representatividade impacta diretamente o desenvolvimento de produtos da marca

Por Leticia Yamakami Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2024, 10h07 | Atualizado em 2 jan 2025, 15h42
Natura quer que 30% de seus funcionários sejam pretos e pardos até 2030 Priorizar nos meus resultados Google

A mobilização em torno das pautas ESG — sigla que designa o uso de critérios ambientais, sociais e de governança corporativa pelas empresas — cresce de pouco a pouco no Brasil e a sua adoção por parte de grandes companhias é cada vez mais incentivada. Segundo o estudo Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas 2023-2024, realizado pelo Instituto Ethos neste ano, homens ainda representam mais de 70% dos profissionais nos conselhos de administração e diretorias. A taxa é ainda mais desigual na análise étnico-racial, uma vez que pessoas brancas são mais de 80% nessas posições de liderança.

Diversas entidades se destacam positivamente no país ao terem como objetivos romper com esse padrão e diminuir as desigualdades nos ambientes corporativos. A empresa de cosméticos Natura, por exemplo, adota práticas de ações afirmativas desde a década de 1980 — antes mesmo da sigla ESG ter sido criada —, quando passou a contratar pessoas com deficiência para trabalhar em sua equipe. Após 2015, ano em que formalizou uma área dedicada exclusivamente à diversidade e inclusão, a companhia passou a incorporar a representatividade como um pilar estratégico.

Para Aline Lima, diretora de diversidade e inclusão da Natura, um dos benefícios da representatividade em um time corporativo é o desenvolvimento de produtos mais relevantes. “A equipe sênior da companhia conta com 50,5% de mulheres, o que nos permite atender com eficiência às necessidades do público feminino, que constitui a maior parte dos nossos consumidores”, diz. Contudo, a empresa possui objetivos para expandir a diversidade étnico-racial.

“Os profissionais autodeclarados pretos ou pardos representam 12,14% de posições gerenciais e de liderança, o que visamos aumentar para 30% até 2030”, reforça Lima. Para além das metas quantitativas, a Natura possui iniciativas para cumprir as demandas dos consumidores negros da marca. Uma delas foi o Projeto Dandara, que envolveu mais de 2 mil mulheres pretas e pardas a fim de mapear necessidades específicas, como cuidados essenciais com peles ricas em melanina.

A partir das descobertas, a linha lançada foi a Tododia Jambo Rosa e Flor de Caju, desenvolvida com ativos como niacinamida e óleo de gergelim, para atender às necessidades de hidratação, uniformização e fortalecimento da barreira da pele. A fragrância, criada pelo perfumista negro Jerry Padoly, celebra a cultura afro-brasileira, enquanto consultorias especializadas, como Indique uma Preta e Black Influence, apoiaram a construção narrativa e o plano de lançamento.

Valéria Café, diretora-geral do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), explica que a diversidade traz maior inovação, mais resultados e menos riscos para as empresas. “A agenda ESG é uma realidade e continua existindo independentemente da opinião de cada companhia”, diz. “A empresa que entender isso e adotar práticas de ações afirmativas primeiro, sai na frente socio e economicamente”.

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