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O Brasil na corrida pela inteligência artificial

A inteligência artificial é ‘irreversível’ — mas o país precisa decidir se quer apenas hospedar dados ou produzir inteligência

Por Veruska Costa Donato 14 jan 2026, 16h23
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Em um cenário global marcado por conflitos e incertezas, a inteligência artificial segue descolada do noticiário negativo e mantém forte desempenho nos mercados. Para Cássio Pantaleoni, diretor de IA (Quality Digital) não se trata de uma bolha prestes a estourar. “A IA veio para ficar. Ela é inexorável, incontornável para o nosso futuro”, afirma. Segundo ele, o ponto central não é questionar a existência da tecnologia, mas separar o que já é realidade do que ainda é promessa. “Existe uma distância grande entre a IA madura, que já gera ganhos concretos, e a ideia de uma inteligência superconsciente, que ainda está longe.”

Quando o debate chega ao Brasil, o diagnóstico é direto. O país tende a ser um polo natural de data centers, por escala e custo, mas isso não basta. “O grande diferencial não está na infraestrutura, e sim no capital intelectual”, afirma. Para Pantaleoni, o retorno real da IA depende da capacidade humana de utilizá-la corretamente. “A IA, mais do que qualquer tecnologia anterior, exige inteligência do ser humano. E isso só vem com capacitação, formação e letramento.”

Esse letramento, segundo o executivo, é uma responsabilidade compartilhada. O governo precisa investir em requalificação profissional; as empresas, em educação estratégica de seus times; e os indivíduos, em compreender a transformação em curso. “A pior escolha é resistir”, diz. “Não se trata de lutar contra a tecnologia, mas de aprender a caminhar com ela.” Para o Brasil, o caminho está dado: tornar-se um centro de excelência no uso e no desenvolvimento de soluções em inteligência artificial — exportando não apenas dados, mas conhecimento.

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