O novo capítulo na derrocada dos Correios: o fracasso do PDV
Com menos de 30% da meta atingida, programa de demissão avança pouco e levanta dúvidas sobre capacidade de gerar a economia prevista
A uma semana do encerramento do prazo, os Correios registram adesão inferior a 30% ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), com menos de 3 000 inscritos frente à meta de 10 000 desligamentos ainda em 2026. As inscrições se encerram no dia 31 de março e, segundo a direção da estatal, não devem ser prorrogadas. A expectativa interna é de que parte dos funcionários deixe a decisão para os últimos dias, mas há dúvidas dentro da própria empresa sobre a capacidade de o programa atingir a meta, especialmente diante do teto de indenização de 600 mil reais.
O PDV é uma das principais frentes do plano de reestruturação conduzido pela gestão de Emmanoel Rondon e está diretamente ligado ao esforço de redução de custos. A meta mais ampla é desligar até 15 000 funcionários até 2027, o que poderia gerar uma economia anual de 2,1 bilhões de reais.
O cenário ocorre em meio a um quadro de deterioração financeira da estatal. Os Correios projetam prejuízo de 9,1 bilhões de reais em 2026, após perdas estimadas em 5,8 bilhões em 2025. Dados internos indicam ainda um déficit estrutural superior a 4 bilhões de reais por ano, além de patrimônio líquido negativo de 10,4 bilhões de reais. Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta queda de receitas em serviços tradicionais e aumento de custos operacionais, com despesas de pessoal representando cerca de 62% dos gastos fixos.
O PDV foi relançado no fim de janeiro deste ano como parte de um plano mais amplo anunciado pela estatal, que prevê medidas de ajuste entre 2025 e 2027. Além da redução do quadro de funcionários, o programa inclui fechamento de cerca de mil agências, venda de imóveis com expectativa de arrecadar até 1,5 bilhão de reais e revisão de despesas, como planos de saúde e previdência. A estratégia também envolve a captação de recursos: em dezembro de 2025, a empresa contratou um empréstimo de 12 bilhões de reais para reforçar o caixa e manter a operação







