“Não adianta botar gasolina na fogueira”: como economistas veem papel da China na guerra
Enquanto Trump esbraveja Xi Jinping vai ganhando simpatia mundial
A movimentação da China diante das tensões no Oriente Médio foi interpretada pelo economista Ricardo Rocha como uma tentativa clara de assumir protagonismo com discurso moderador. Xi Jingping vem tendo diversas conversas com líderes do mundo todo, e ontem apresentou um programa para acabar com a guerra.
Contraponto
Para o professor, o país precisa exercer liderança pacífica e evitar inflamar o cenário. “Não adianta botar gasolina na fogueira”, afirmou, ao defender que a potência asiática tende a atuar para reduzir a escalada e manter algum grau de estabilidade regional.
Estratégia
Rocha avalia que há também um cálculo estratégico. Segundo ele, Pequim aproveita o momento para demonstrar liderança junto aos países do Golfo e reforçar sua presença diplomática. Não se trata apenas de discurso, mas de posicionamento internacional. Ao se colocar como voz da moderação, a China amplia sua influência e se apresenta como alternativa em um cenário onde outras potências adotam tom mais duro.
China afetada por fechamento de Ormuz
O fator econômico pesa. O professor lembra que qualquer bloqueio do Estreito de Ormuz afeta diretamente economias asiáticas, incluindo a própria China, além de Japão e Coreia do Sul. Entre 20% e 30% do petróleo mundial passa pela rota, o que torna a busca por estabilidade quase uma necessidade logística. Nesse contexto, segundo Rocha, o país tenta se mostrar uma liderança “a favor da tranquilidade”, preservando o fluxo energético essencial para sua atividade industrial.
China x Trump
Ainda assim, a diplomacia chinesa não é desinteressada. O professor observa que o país atua com cautela para proteger seus próprios interesses e reforçar sua posição como ator central no comércio global. Para ele, o movimento também funciona como uma “cutucada” nos Estados Unidos, especialmente no contexto político envolvendo Donald Trump, ampliando a disputa por influência internacional.
Não é uma democracia
Rocha pondera que, apesar do discurso conciliador, é preciso lembrar a natureza do regime chinês. Ele destaca que o país não é uma democracia, mas reconhece que tem peso suficiente para influenciar diferentes lados da tensão, inclusive os americanos e o Irã. No fim das contas, a leitura do professor é pragmática: a China busca a paz, sim, mas principalmente porque estabilidade, neste momento, também é sinônimo de interesse próprio.







