O que é a produtividade do trabalhado e como fazer ela crescer
Economista explica a importância do assunto no fim da escala 6x1
O avanço do fim da escala 6×1 na Câmara saiu do campo das ideias e já encosta na realidade das empresas. Na prática, a proposta de redução da jornada semanal para 40 horas e da escala 5×2 mexe com um ponto sensível: o custo da mão de obra. A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawuait, foi direta ao ponto ao afirmar que a maioria dos estudos indica um aumento de cerca de 10% na folha salarial, caso as empresas precisem contratar mais gente para cobrir as horas que deixariam de ser trabalhadas.
Busca por produtividade
Esse número, claro, parte de um cenário estático — como se nada mais mudasse dentro das empresas. Mas a vida real não funciona assim. Diante de um custo maior, o empresário tende a reagir. E é aí que entra a busca por produtividade. Segundo Marcela, a saída passa por revisões de processos, reorganização das rotinas e adoção de tecnologias que permitam ao trabalhador produzir mais em menos tempo. Não é mágica, mas é um movimento já conhecido em momentos de pressão de custos.
Adaptação é tudo
Ainda assim, essa adaptação não acontece da noite para o dia. Por isso, a economista insiste em um ponto que costuma passar batido no debate público: a necessidade de uma regra de transição. Esse período funcionaria como um amortecedor, dando tempo para que as empresas se ajustem sem repassar todo o impacto de imediato para preços — o que ajudaria a conter efeitos inflacionários no curto prazo.
Transição necessária
Porque, sim, existe esse risco. Se o custo sobe e a produtividade não acompanha na mesma velocidade, a conta tende a aparecer na ponta, seja em forma de preços mais altos, seja na redução de margens — o que também afeta investimentos. A transição, nesse sentido, não é um detalhe técnico, mas parte central do sucesso (ou fracasso) de uma mudança dessa magnitude.
A empresa é responsável pela produtividade do trabalhador
No curto prazo, o ganho de produtividade viria do que está mais à mão: ajustes operacionais, melhor uso de ferramentas digitais e reorganização das equipes. É o tipo de eficiência que não exige grandes revoluções, mas sim disciplina na gestão. Já no longo prazo, a conversa muda de patamar — e fica mais estrutural.
A importância de medir os prazos
Produtividade na berlinda
É um conjunto: educação de qualidade, formação técnica, infraestrutura eficiente e menos burocracia. É esse conjunto que aumenta o chamado PIB potencial do país. No fim das contas, o debate sobre a escala 6×1 acaba sendo maior do que o tempo que o trabalhador passa na empresa — ela escancara um velho desafio brasileiro: como produzir mais e melhor sem, necessariamente, trabalhar mais horas.





