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O que é a produtividade do trabalhado e como fazer ela crescer

Economista explica a importância do assunto no fim da escala 6x1

Por Veruska Costa Donato 23 abr 2026, 15h34 | Atualizado em 23 abr 2026, 16h04

O avanço do fim da escala 6×1 na Câmara saiu do campo das ideias e já encosta na realidade das empresas. Na prática, a proposta de redução da jornada semanal para 40 horas e da escala 5×2 mexe com um ponto sensível: o custo da mão de obra. A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawuait, foi direta ao ponto ao afirmar que a maioria dos estudos indica um aumento de cerca de 10% na folha salarial, caso as empresas precisem contratar mais gente para cobrir as horas que deixariam de ser trabalhadas.

Busca por produtividade

Esse número, claro, parte de um cenário estático — como se nada mais mudasse dentro das empresas. Mas a vida real não funciona assim. Diante de um custo maior, o empresário tende a reagir. E é aí que entra a busca por produtividade. Segundo Marcela, a saída passa por revisões de processos, reorganização das rotinas e adoção de tecnologias que permitam ao trabalhador produzir mais em menos tempo. Não é mágica, mas é um movimento já conhecido em momentos de pressão de custos.

Adaptação é tudo

Ainda assim, essa adaptação não acontece da noite para o dia. Por isso, a economista insiste em um ponto que costuma passar batido no debate público: a necessidade de uma regra de transição. Esse período funcionaria como um amortecedor, dando tempo para que as empresas se ajustem sem repassar todo o impacto de imediato para preços — o que ajudaria a conter efeitos inflacionários no curto prazo.

Transição necessária

Porque, sim, existe esse risco. Se o custo sobe e a produtividade não acompanha na mesma velocidade, a conta tende a aparecer na ponta, seja em forma de preços mais altos, seja na redução de margens — o que também afeta investimentos. A transição, nesse sentido, não é um detalhe técnico, mas parte central do sucesso (ou fracasso) de uma mudança dessa magnitude.

A empresa é responsável pela produtividade do trabalhador

No curto prazo, o ganho de produtividade viria do que está mais à mão: ajustes operacionais, melhor uso de ferramentas digitais e reorganização das equipes. É o tipo de eficiência que não exige grandes revoluções, mas sim disciplina na gestão. Já no longo prazo, a conversa muda de patamar — e fica mais estrutural.

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A importância de medir os prazos

Segundo a economista existe o aumento da produtividade de curto, médio e longo prazo, “Quando a gente fala de curto prazo, a gente está falando de ferramentas de fácil implementação como a introdução de programas e softwares e isso pode sim ser feito pelos empresários nesse momento de adaptação”. Marcela lembra que ainda há uma questão bastante relevante na busca pela produtividade de longo prazo “Ela depende principalmente de educação, uma educação que começa cedo e chega a faculdade”. 

Produtividade na berlinda

É um conjunto: educação de qualidade, formação técnica, infraestrutura eficiente e menos burocracia. É esse conjunto que aumenta o chamado PIB potencial do país. No fim das contas, o debate sobre a escala 6×1 acaba sendo maior do que o tempo que o trabalhador passa na empresa — ela escancara um velho desafio brasileiro: como produzir mais e melhor sem, necessariamente, trabalhar mais horas.

O índice de produtividade

É um indicador que calcula o quanto de valor (PIB) é gerado por horas trabalhadas e por um determinado período. Não se trata de trabalhar muito, mas trabalhar com eficiência agregando a um produto ou serviço. No Brasil, segundo economistas, a produtividade está praticamente estagnada nos últimos 40 anos com média de 0,6%. O País ocupa o 94° lugar entre 184 nações e está atrás de vizinhos como Uruguai, Chile e Argentina.
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