O risco de liquidação do BRB após o fracasso do acordo com a Quadra Capital
Conclusão do plano de capitalização se encerra no próximo dia 5 de agosto; veja o que pode acontecer
O Banco de Brasília (BRB) atravessa um momento delicado após o fim das negociações com a gestora Quadra Capital para a venda de cerca de 15 bilhões de reais em ativos considerados saudáveis do Banco Master. A operação poderia render entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais ao BRB e fazia parte do plano de capitalização da instituição. Para analistas ouvidos por VEJA Negócios, a situação do banco é complicada, mas uma liquidação e o fim da instituição é algo distante.
O banco precisa levantar recursos no montante de pelo menos 12 bilhões de reais para reforçar seu capital após a aquisição de ativos problemáticos do Banco Master. Em fevereiro deste ano, o BRB apresentou ao Banco Central um plano de reestruturação que estabelecia o prazo de 5 de agosto para concluir a capitalização.
Com a data se aproximando, porém, a instituição enfrenta dificuldades para cumprir todas as etapas previstas.
O plano original incluía cinco medidas principais:
- Empréstimo de 4 bilhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
- Captação de outros 4 bilhões de reais com um sindicato de bancos;
- Criação de um fundo de investimento imobiliário (FII) com terrenos públicos;
- Venda de participações em subsidiárias;
- Alienação de ativos considerados saudáveis do Banco Master.
Ao longo dos últimos meses, parte dessa estratégia foi reformulada. A previsão de captar 8 bilhões de reais — sendo 4 bilhões junto ao FGC e outros 4 bilhões com bancos — foi substituída por uma única operação de financiamento de 6,6 bilhões de reais. O processo, no entanto, avançou lentamente e só foi destravado após um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A venda dos ativos saudáveis do Banco Master também parecia encaminhada com a Quadra Capital. Pelo desenho da operação, o BRB receberia entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais à vista, enquanto os cerca de 11 bilhões de reais restantes seriam transferidos para um fundo administrado pela gestora, que ficaria responsável por monetizar esses ativos ao longo do tempo.
Segundo o BRB, a reorganização buscava aprimorar a gestão do portfólio e racionalizar sua estrutura patrimonial. Na prática, a operação reduziria a exposição direta a ativos de maior risco e melhoraria os indicadores financeiros da instituição ao segregá-los do balanço.
As negociações, contudo, foram encerradas. Em comunicado ao mercado, o BRB informou que a decisão decorreu de divergências sobre os parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados para a transação.
“Diante desse cenário, o BRB optou por conduzir diretamente o processo de gestão e recolocação desses ativos no mercado, estratégia que reforça sua atuação prudente”, afirmou o banco.
Liquidação é considerada o cenário mais extremo
Sem a venda dos ativos, o processo de capitalização torna-se mais desafiador. Apesar disso, especialistas ouvidos por VEJA Negócios avaliam que uma eventual liquidação da instituição continua sendo um cenário remoto, tanto por questões econômicas quanto jurídicas.
Para Pedro Abrão, advogado especializado em instituições financeiras e de pagamento, a liquidação só faria sentido caso o BRB se tornasse inviável sob os pontos de vista operacional e patrimonial — situação que, segundo ele, ainda não existe.
“O BRB é uma instituição viável, com uma carteira de varejo relevante e uma função social importante no Distrito Federal. O desafio atual é um ajuste patrimonial específico. O princípio que deve orientar a atuação do Banco Central é o da preservação da empresa e da proteção da poupança popular”, afirma.
Na avaliação do especialista, o papel do regulador é exigir uma solução para o déficit de capital, fortalecer a governança e preservar a continuidade das operações, em vez de decretar a liquidação da instituição.
André Vasconcellos, professor da Trevisan Escola de Negócios, destaca outro fator que reduz a probabilidade desse desfecho: o BRB é uma empresa estatal.
Segundo ele, diferentemente de uma instituição privada, um eventual encerramento das atividades exigiria participação do Poder Legislativo do Distrito Federal, o que aumenta o custo político e institucional de qualquer decisão dessa natureza. “Esse fator dificulta uma eventual liquidação do BRB por parte do Banco Central”, afirma Vasconcellos.
Diante desse cenário, a avaliação predominante entre os especialistas é que o Banco Central deverá intensificar a pressão para que o BRB conclua sua capitalização, reforce a governança e encontre alternativas para reduzir sua exposição aos ativos herdados do Banco Master.
No cenário mais adverso, parte da carteira de crédito do BRB poderia ser vendida para outras instituições financeiras. Ainda assim, uma liquidação do banco é considerada pouco provável, tanto pelos obstáculos jurídicos quanto pelo elevado custo político da necessidade dos deputados do Distrito Federal aprovarem o encerramento da instituição em um ano eleitoral.






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://beta-develop.veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif?fit=728%2C90&quality=70&strip=info)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://beta-develop.veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif?fit=328%2C79&quality=70&strip=info)