PEC da 6×1 esbarra na escala eleitoral do Senado
Após aprovação na CCJ, proposta pode ter de encarar cinco sessões de discussão enquanto senadores deixam Brasília para fazer campanha
A PEC que acaba com a escala 6×1 venceu nesta quarta-feira, 2, sua batalha na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A próxima pode ser mais difícil: convencer os próprios senadores a permanecerem em Brasília durante a campanha eleitoral.
Depois de a CCJ aprovar o texto, governistas ainda tentavam conseguir um calendário especial para acelerar a votação em plenário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, porém, tem resistido à ideia e defendido o cumprimento do rito regimental. Nos bastidores, a avaliação entre senadores envolvidos na articulação é que a tendência hoje é cumprir as cinco sessões de discussão exigidas antes da votação em primeiro turno.
O problema é o calendário. O último esforço concentrado do Senado antes das eleições termina nesta quinta-feira, e parlamentares já começaram a deixar Brasília para retornar aos estados. Um senador ouvido pelo Radar Econômico estava a caminho do aeroporto quando afirmou que outros colegas faziam o mesmo movimento.
A campanha ajuda a explicar a pressa do governo. O fim da 6×1 tem apoio de 71% dos brasileiros, segundo o Datafolha, e Lula tenta transformar a redução da jornada em bandeira eleitoral. Do outro lado, Flávio Bolsonaro apoia uma alternativa articulada por Rogério Marinho, que amplia a possibilidade de acordos individuais entre empregados e patrões.
Se o rito normal prevalecer, a PEC pode acabar atravessando justamente o período no qual os senadores menos querem estar no Senado. O parlamentar ouvido pelo Radar resumiu a situação em tom de brincadeira: “Senador que não matar aula, não passa de ano”.







