ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Por que a IA fará a Apple aumentar preços do iPhone e do Mac

Tim Cook afirma que explosão da IA gerou rali inédito no valor de semicondutores de memória

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jun 2026, 15h07 | Atualizado em 18 jun 2026, 15h10
Por que a IA fará a Apple aumentar preços do iPhone e do Mac Priorizar nos meus resultados Google

A Apple planeja elevar o preço de seus principais dispositivos de consumo para compensar o encarecimento global dos chips de memória e armazenamento.

O anúncio foi feito pelo presidente-executivo da companhia, Tim Cook.

De acordo com o executivo, a disparada dos custos na cadeia de suprimentos tornou os reajustes “inevitáveis”.

Embora Cook tenha evitado detalhar o calendário e a magnitude dos aumentos, o movimento sinaliza um impacto direto no lançamento do iPhone 18 e da linha de computadores Mac, em uma reviravolta histórica na dinâmica de poder entre as Big Techs e seus fornecedores.

O apetite da inteligência artificial por silício

O motor por trás do reajuste é a corrida armamentista da inteligência artificial generativa.

Continua após a publicidade

Desde que gigantes como Google, Microsoft, Meta e Amazon inflaram seus orçamentos de infraestrutura para construir servidores de IA, os preços dos chips de memória RAM (DRAM) e de armazenamento (NAND) quadruplicaram no mercado internacional.

Projeções da consultoria TechInsights indicam que a pressão inflacionária sobre esses componentes deve se estender até 2027.

Analistas estimam que, para preservar as margens de lucro históricas da Apple, o repasse integral do novo custo fabril poderia encarecer o próximo iPhone Pro em cerca de US$ 270 (aproximadamente R$ 1.450), elevando o preço de partida do aparelho nos Estados Unidos para a faixa de US$ 1.299.

Continua após a publicidade

O gargalo de produção ocorre porque as fabricantes de semicondutores, lideradas pelas sul-coreanas Samsung e SK Hynix e pela americana Micron, redirecionaram suas linhas para atender à demanda de chips de alta largura de banda (HBM), exigidos pelas redes de IA.

Um relatório do banco Morgan Stanley aponta que, até 2027, a oferta de silício para eletrônicos de consumo tradicionais, como celulares e PCs, ficará até 15% abaixo da demanda global.

A perda do poder de barganha no Vale do Silício

Historicamente, a Apple utilizava seu caixa trilionário e o status de maior compradora individual de componentes do mundo para sufocar as margens de lucro dos fornecedores e ditar os preços do mercado.

Continua após a publicidade

Diante do apetite dos servidores de IA, contudo, a dona do iPhone perdeu a preferência na fila de entrega.

Provedores de computação em nuvem têm fechado contratos de três a cinco anos com as fabricantes de chips mediante adiantamentos bilionários em dinheiro, um modelo de negócios que a Apple, conhecida por sua disciplina de gastos, resiste em adotar.

Cook descartou a possibilidade de a empresa utilizar suas reservas para erguer fábricas próprias de memória, sob o argumento de que a companhia prefere focar em suas especialidades de design e software.

Continua após a publicidade

A escassez atinge a Apple em um momento de vulnerabilidade técnica.

Para rodar localmente os novos recursos de inteligência artificial do sistema Apple Intelligence e a versão remodelada da assistente Siri, os próximos iPhones vão demandar uma quantidade significativamente maior de memória RAM do que os modelos anteriores.

Alerta em Washington e pressão na indústria

O repasse de custos da Apple não é um caso isolado. Fabricantes de computadores pessoais como HP e Dell, além da japonesa Nintendo, já iniciaram reajustes em seus portfólios pelo mesmo motivo.

Continua após a publicidade

Um consórcio de associações globais da indústria de tecnologia chegou a enviar uma carta conjunta ao governo americano solicitando intervenção federal para conter o desvio de chips para o segmento de IA corporativa.

O Morgan Stanley prevê um aumento médio de 15% nos preços de smartphones e computadores nos EUA ainda este ano.

Embora economistas apontem que o reajuste tenha peso limitado no índice oficial de inflação ao consumidor (CPI), o encarecimento do iPhone, o produto de consumo mais popular do país, deve atrair o escrutínio de reguladores e parlamentares em Washington.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Premium

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 24,99/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).