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Preço do petróleo é sensível a negociações entre Irã e EUA

Economista explica que mercado tende a se antecipar aos riscos geopolíticos

Por Veruska Costa Donato 26 fev 2026, 13h35

As negociações entre Estados Unidos e Irã caminham em meio a dúvidas sobre sanções, programa nuclear e, claro, o petróleo — sempre ele no centro da conversa. O mercado acompanha cada gesto, cada declaração, como quem tenta decifrar um tabuleiro em movimento. Não é preciso que o barril deixe de circular para que os preços mudem. Basta a possibilidade.

Risco geopolítico

A economista Natalie Verndl resume bem esse comportamento: o risco geopolítico é precificado em tempo real. Traduzindo: investidores não esperam o problema acontecer. Se há sinalização de novas sanções ou uma fala mais dura de autoridades, as bolsas e as commodities reagem quase instantaneamente. É como se o mercado funcionasse no modo “antecipação permanente”, ajustando posições diante de qualquer ruído.

Estreito de Ormuz

No radar mais sensível está o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma fatia relevante do petróleo mundial. A simples hipótese de bloqueio ou restrição já acende o sinal amarelo. Natalie aponta três temores centrais: sanções relevantes, choque de oferta e a tensão nuclear envolvendo o Irã. Por outro lado, o fato de Teerã se mostrar disposto a negociar ajuda a conter, ao menos por ora, o risco de uma escalada mais grave.

Preço do petróleo

Curiosamente, mesmo com as incertezas, o petróleo recuou recentemente. Segundo a economista, o mercado tenta “esvaziar” as negociações, ajustando estoques e posições antes de um desfecho — seja ele um acordo ou um agravamento. Soma-se a isso um cenário doméstico ainda apertado, com juros elevados e dólar na casa dos R$ 5, que mexe com o humor de quem investe em emergentes. No fim das contas, o impasse diplomático ultrapassa a política externa e desembarca direto na carteira do investidor.

Rotina

E há um ponto que não pode ser ignorado: quando o risco vira rotina, o investidor passa a conviver com ele quase como custo fixo. Isso significa mais volatilidade, decisões mais curtas e uma seletividade maior com países e setores. Em tempos de tensão internacional, o dinheiro fica mais arisco — e entender essa dinâmica é essencial para não confundir barulho momentâneo com mudança estrutural no cenário econômico.

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