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Previdência: mercado não contava mais com reforma em 2017

Analistas do mercado financeiro avaliam que adiamento da votação para fevereiro tem pouco impacto, e grande preocupação são as eleições de 2018

Por Felipe Machado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 dez 2017, 18h47 | Atualizado em 15 dez 2017, 15h43
Previdência: mercado não contava mais com reforma em 2017 Priorizar nos meus resultados Google

A previsão de que a reforma da Previdência será votada em fevereiro do ano que vem – e não até a próxima semana, como pretendia o governo – teve um impacto baixo para o mercado financeiro, segundo analistas ouvidos por VEJA. Isso porque a aprovação da medida neste ano era considerada difícil. E as eleições do ano que vem são um fator de preocupação maior que a data.

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Para o economista-chefe da corretora XP Investimentos, Celson Plácido, o prazo já era visto como curto, e a perspectiva de que o governo não teria votos suficientes para  aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) fez com que o mercado não apostasse na medida neste ano. Ele considera que, até fevereiro, o tema “eleições” deve ganhar mais relevância.

“O que pode gerar volatilidade no mercado é o julgamento do ex-presidente Lula em 2ª instância, marcado para janeiro. Não torna ainda ele inelegível, mas já chama a atenção da dificuldade de ele vir como candidato,e se o PT vai vir com um plano B como Fernando Hadad ou Jaques Vagner”, avalia.

O chefe de operações da corretora Gradual, Pedro Afonso, considera que nem mesmo a falha na articulação demonstrada na terça – quando o líder do governo no Senado Romero Jucá anunciou que houve adiamento, e foi corrigido posteriormente pelo presidente Michel Temer – teve peso grande na baixa do Ibovespa na manhã desta quarta. O índice chegou a recuar mais de 1% por volta das 11h. “O grande fator de instabilidade é a incerteza. O impacto é o mesmo se a reforma for aprovada neste ano ou no ano que vem”, afirma. Para ele, a definição de uma data mais adiante só ratifica o cenário de indefinição.

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Segundo o analista político da consultoria Tendências, Rafael Cortez, a grande questão no momento é se haverá um sucessor na Presidência que mantenha as políticas econômicas em curso. Para ele, é possível esperar uma definição sobre a reforma até abril e, a votação deve ser mais um componente na disputa. “A reforma é importante na estratégia eleitoral dos partidos. O viés é de uma eleição mais complicada. Se for aprovada até lá, ajuda. Se não, vira fator de turbulência”, explica.

Adiamento

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou nesta quarta-feira que a votação no plenário da Casa acontecerá no dia 19 de fevereiro. O relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA), fez hoje a leitura do relatório alternativo ao que foi aprovado em maio. O texto se concentra em pontos como fixação da idade mínima (65 anos para homens, 62 para mulheres), unificação das regras entre servidores e trabalhadores da iniciativa privada e uma regra para o cálculo do benefício. O objetivo é diminuir a resistência ao projeto.

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