Proibição das bets começa a provocar demissões no setor
Sem receita desde o fim de setembro, empresas de apostas recorrem a cortes de pessoal
A proibição das apostas online já começa a atingir o quadro de funcionários das empresas do setor. “Do dia para a noite, nada mais existia. A receita secou, foi reduzida a zero”, diz Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), em entrevista a VEJA. “Tem empresas que já começaram a demitir”, conclui. O alerta da associação inclui funcionários diretos das bets e prestadores de serviços terceirizados. Uma das principais casas de apostas do mercado desmobilizou todo o seu serviço de teleatendimento, resultado na demissão de 500 funcionários que atuavam em seu call center, segundo a ANJL.
Um levantamento da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig), divulgado nesta quarta-feira, 7, pelo jornal Folha de S. Paulo, identificou demissões em pelo menos 36 das 188 marcas que estavam autorizadas a operar no país. O levantamento considera as dispensas anunciadas até segunda-feira, 5, e aponta que, por enquanto, o movimento está concentrado em companhias de pequeno e médio porte. Os fornecedores que atuam para as bets não foram incluídos na conta.
As entidades que representam o setor apostam em uma reversão da medida na Justiça, mas a indefinição sobre quando isso poderá ocorrer aumenta a pressão sobre o caixa das companhias. “Acredito que o STF vai decidir em nosso favor rapidamente, nas próximas semanas”, afirma o presidente da ANJL. A proibição foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/26, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. Por se tratar de uma MP, a medida já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. Caso seja rejeitada ou não seja votada dentro do prazo, a legislação anterior volta a vigorar e as bets poderão voltar a operar.
A 7K, controlada pela Ana Gaming, é uma das empresas que promoveu uma redução de pessoal. Em nota enviada a VEJA, a companhia afirmou: “Mesmo uma eventual reversão da medida (MP) não elimina os danos já provocados”. A empresa não informou quantas demissões poderão ocorrer. “Encerrar operações por determinação legal compromete as condições que sustentam postos de trabalho e contratos”, concluiu. A H2Bet, que surgiu no ambiente dos clubes de pôquer, também já anunciou um corte expressivo. Diego Breda de Carvalho, diretor de operações da empresa, informou em uma publicação no Instagram que 170 dos 270 funcionários foram dispensados.
Devoluções aos apostadores
A interrupção das operações deixou as empresas sem receita desde o fim de setembro. Nesta terça-feira, 6, os sites e aplicativos das bets também saíram do ar e passaram a direcionar os usuários para uma página do governo com informações sobre a proibição e o resgate dos valores mantidos nas plataformas. Quem ainda tinha dinheiro nas contas teve até segunda-feira para fazer o saque diretamente nas empresas. Para os valores remanescentes, as plataformas devem encaminhar aos bancos, nos dias 6 e 7, os dados necessários para a devolução, que deverá ocorrer entre 9 e 14 de outubro.
A dimensão do mercado afetado ajuda a explicar o impacto da medida sobre as empresas. Segundo estimativas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), cerca de 23 milhões de apostadores tinham recursos nas contas das plataformas. O governo calcula que aproximadamente 1,7 bilhão de reais deverá ser devolvido aos usuários.






