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Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial — dívidas chegam a R$ 65 bi

Companhia busca acordo com credores financeiros e prevê capitalização dos acionistas e venda de ativos para reequilibrar estrutura de capital

Por Larissa Quintino Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 08h52 | Atualizado em 11 mar 2026, 11h12

A Raízen protocolou na terça-feira, 10, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. A companhia — joint venture entre a Cosan e a Shell — enfrenta há meses dificuldades financeiras decorrentes do alto endividamento e da deterioração recente dos resultados.

No modelo de recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com um grupo específico de credores e posteriormente submete o acordo à homologação judicial. O formato difere da recuperação judicial tradicional, na qual todas as dívidas da companhia passam a ser renegociadas na Justiça. Também na terça-feira, o Grupo Pão de Açúcar recorreu ao mesmo instrumento para tratar de débitos de R$ 4,5 bilhões.

Em comunicado ao mercado, a Raízen afirmou que o pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo com o objetivo de criar um ambiente jurídico para a renegociação das obrigações financeiras. “A Recuperação Extrajudicial foi consensualmente estruturada entre o Grupo Raízen e seus principais credores financeiros quirografários […] com objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias do Grupo Raízen no montante aproximado de R$ 65,1 bilhões”, informou a empresa.

Segundo a Raízen, credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras já aderiram ao plano. A legislação prevê um prazo de até 90 dias para que a empresa alcance o quórum mínimo necessário para a homologação do acordo, o que permitiria estender as novas condições a 100% dos créditos incluídos na negociação.

O plano de reestruturação prevê diferentes medidas, entre elas a possibilidade de capitalização da companhia pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em participação acionária, substituição de créditos por novos instrumentos de dívida, reorganizações societárias e venda de ativos. A empresa também já havia informado anteriormente que a Shell deve injetar R$ 3,5 bilhões na companhia, enquanto o fundo Aguassanta Investimentos, ligado à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, deve aportar R$ 500 milhões.

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Em nota, a companhia destacou que a recuperação extrajudicial tem escopo restrito às obrigações financeiras e não afeta compromissos operacionais. “A Companhia esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”, afirmou. Segundo o comunicado, as operações seguem normalmente.

A empresa também busca levantar recursos com a venda de ativos, incluindo a operação na Argentina, com expectativa de arrecadar cerca de US$ 1 bilhão. A estratégia faz parte de um plano mais amplo para reduzir a alavancagem e melhorar a geração de caixa.

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