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“Respeitamos limites para publicidade”, diz gestor do Parque Ibirapuera

Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia, afirma que modelo de negócios ajuda a sustentar outras áreas verdes em São Paulo

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jun 2026, 08h00
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Parques urbanos e naturais vêm ganhando um papel estratégico na saúde ambiental das cidades brasileiras e na formação de uma cultura de preservação da natureza, afirma Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia, empresa responsável pela concessão do Parque Ibirapuera e de outras áreas verdes em São Paulo, além de atrativos como o Parque Nacional do Iguaçu. Para o executivo, a administração privada desses espaços pode ajudar a conciliar identidade urbana, conservação ambiental e viabilidade econômica, desde que desenhada com regras claras e fiscalização pública.

Em entrevista ao programa VEJA+Verde, Lloyd lembra que, antes da concessão do Ibirapuera, a prefeitura gastava cerca de 25 milhões de reais por ano apenas com o custeio do parque. Hoje, o modelo reúne em um único contrato as receitas de patrocínios, eventos, estacionamento e comércio, e transfere parte dos ganhos ao poder público.  Ele afirma que o volume de investimentos superou a previsão inicial, atraindo grandes marcas e permitindo ampliar a infraestrutura sem cobrar entrada dos visitantes.

O impacto não se limita ao principal cartão-postal verde da capital. O Ibirapuera é “a grande locomotiva” de um contrato que sustenta outros cinco parques da rede, sem novos aportes diretos da prefeitura desde 2020. “Eles são abastecidos e mantidos através dessas atividades comerciais, de patrocínios ou pagamento do estacionamento no Parque Ibirapuera”, diz Lloyd. Esse modelo busca usar a visibilidade do Ibirapuera para financiar áreas verdes menos conhecidas e mais periféricas.

Do ponto de vista ecológico, o executivo destaca que os parques prestam “diversos serviços ecossistêmicos”, ajudando a mitigar efeitos típicos da urbanização. Além da regulação da temperatura e da dispersão do som do trânsito, o Ibirapuera funciona como área de retenção de água em uma região que era historicamente alagada. Nos últimos anos, a concessionária aumentou a área permeável ao retirar trechos de asfalto e calçadas que já não eram necessários, e investiu no plantio de mudas nativas para atrair fauna e polinizadores, num cenário de biodiversidade que Lloyd considera raro em grandes metrópoles.

A agenda de sustentabilidade inclui metas ambiciosas para gestão de resíduos e programas voltados à educação ambiental. Desde 2023, diz Lloyd, o Ibirapuera opera em regime de “aterro zero”: “O resíduo do parque é compostado ou reciclado.” Projetos como o Escola no Parque aproximam estudantes da rotina de manejo de resíduos e da ciência ensinada pela escola de astrofísica e pelo planetário. Em paralelo, uma escola de música mantida no parque oferece bolsas a 120 jovens em situação de vulnerabilidade, em um programa de cinco anos que culmina na formação de uma orquestra, já ouvida em palcos como a Sala São Paulo e o Festival de Campos do Jordão.

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A segurança e a acessibilidade financeira dos parques também estão no centro do debate público, em especial quando a presença de marcas e atividades comerciais gera resistência. Lloyd admite que incidentes podem ocorrer em espaços abertos, mas afirma que “são poucos, perto da quantidade de pessoas que visitam o Parque Ibirapuera todos os anos”. Ele informa que a concessionária responde pela segurança patrimonial, enquanto a Guarda Civil Metropolitana cuida da segurança das pessoas. Sobre o limite entre patrocínios e espaço público, destaca que há um plano diretor debatido com a sociedade, que delimita áreas de eventos e ativações e segue parâmetros da Lei Cidade Limpa para evitar “uma profusão de mensagens de comunicação comerciais espalhadas por todo o parque”.

Em parques naturais como o das Cataratas em Foz do Iguaçu (PR) e os cânions de Aparados da Serra (RS), o desenho da concessão é diferente, mas a preocupação com conservação é ainda mais explícita. Nesses casos, a Urbia responde pela experiência do visitante, investindo em sinalização discreta, trilhas, gestão de resíduos e atrações que incentivem uma permanência mais longa sem degradar o ambiente. Lloyd cita a situação crítica em Jericoacoara (CE), um dos parques nacionais com maior número de multas ambientais por uso irregular de veículos nas dunas, como exemplo da necessidade de parceria entre governo e iniciativa privada. “Privado e governo precisam se ajudar para que a gente tenha a conservação desses ecossistemas”, resume.

O VEJA+Verde, conduzido pelo editor Diogo Schelp, traz empresários, personalidades, gestores públicos e especialistas para apresentar suas visões e soluções sobre um dos maiores desafios para a sobrevivência da humanidade: conciliar desenvolvimento econômico e social com preservação do meio ambiente. O programa pode ser assistido toda quinta-feira, às 17h, nos canais Samsung TV Plus canal 2059, LG Channels canal 126, TCL Channel 10031 e Roku 221, além de estar disponível no YouTube de VEJA.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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