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Saiba como a decisão dos EUA sobre PCC e CV pode impactar o crime no Brasil

José Vicente, ex-secretario nacional de segurança pública, afirma que a inteligência americana deve ganhar autonomia

Por Veruska Costa Donato 29 Maio 2026, 13h55
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A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais deve ampliar a pressão sobre as facções brasileiras, especialmente no campo financeiro. Para o especialista em segurança pública e ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente, a medida pode alterar significativamente a forma como essas organizações atuam fora do Brasil, sobretudo nas conexões internacionais ligadas ao tráfico, lavagem de dinheiro e movimentação financeira.

Inteligência americana assume protagonismo

José Vicente avalia que, com a nova classificação, a inteligência americana tende a assumir protagonismo maior no monitoramento dessas facções. Ainda assim, ele descarta qualquer possibilidade de ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro. “Com certeza não haverá nenhuma ação de forças armadas americanas em território brasileiro. O Trump pode ser impulsivo, inesperado, mas ele não vai fazer uma coisa desse tipo”, afirmou. Segundo ele, o impacto será mais silencioso, porém estratégico, especialmente no rastreamento financeiro internacional.

PCC sentirá mais a asfixia financeira

Na avaliação do especialista, o PCC deve sentir mais os efeitos dessa pressão por possuir estrutura internacional mais consolidada do que o Comando Vermelho. “Isso vai levar a inquietação pra folga que tem essas facções, principalmente o PCC”, observou. A preocupação central, segundo Vicente, está na capacidade americana de interferir nas rotas financeiras e nos mecanismos de lavagem de dinheiro usados pelas organizações criminosas. “Isso pode pesar mais”, resumiu ao comentar o alcance da estrutura de inteligência financeira dos EUA.

Que soberania? Brasileiro quer segurança

O debate sobre soberania nacional também entrou na análise do especialista, que criticou o distanciamento entre o discurso político e a realidade vivida pela população. Para ele, há regiões inteiras do país onde o Estado já perdeu espaço para facções e milícias. “Soberania. São quatro milhões de cariocas da região metropolitana que estão onde o Estado não tem soberania. São áreas comandadas, governadas por facções de milícias”, afirmou. Na visão dele, a população entende o impacto direto da violência, enquanto parte da discussão política acaba ficando restrita ao campo ideológico.

Vulnerabilidade do sistema financeiro digital

José Vicente também chamou atenção para a vulnerabilidade do sistema financeiro digital, especialmente no avanço das fintechs sem fiscalização robusta. Segundo ele, ambientes com baixa regulação acabam atraindo operações criminosas sofisticadas. “Toda a área que é mal regulado e mal fiscalizado, como é o caso das fintechs, que não tem a mesma regulação e fiscalização dos grandes bancos”, afirmou, cria oportunidades para organizações criminosas ampliarem fraudes e ocultação de patrimônio.

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Criação de uma unidade de combate ao crime financeiro

Diante desse cenário, o especialista defende a criação de uma estrutura específica de combate ao crime financeiro, uma espécie de “polícia financeira” com atuação integrada e especializada. Para ele, a Polícia Federal já opera no limite da capacidade. “A Polícia Federal não dá conta mais das coisas”, disse. Vicente argumenta que crimes financeiros exigem inteligência técnica, articulação internacional e integração constante com órgãos reguladores.

O combate ao crime organizado tem que deixar de “ser fragmentado”

A proposta inclui uma coordenação nacional acima das estruturas já existentes, reunindo órgãos como Coaf, Banco Central, Ministério Público e forças policiais estaduais. Na avaliação do especialista, hoje há falhas de integração que dificultam investigações mais amplas. Embora reconheça o trabalho de setores especializados, como o Ministério Público de São Paulo, José Vicente afirma que o combate ao crime organizado precisa deixar de ser fragmentado e passar a funcionar como uma política nacional permanente de asfixia financeira das facções.

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