Saiba por que os jovens estão insatisfeitos no trabalho
“O isolamento social é proporcional a fumar 15 cigarros por dia.”
A insatisfação dos jovens com o mercado de trabalho ganhou contornos mais claros com a pesquisa “Carreira dos Sonhos 2025” da Cia de Talentos. Para Gaya Machado, cientista comportamental e integrante do Harvard Business Review Advisory Council, o levantamento ajuda a organizar percepções que já vinham sendo observadas. “Essa pesquisa traz um raio-X do que nós temos visto acontecer nos últimos anos”, afirmou. Segundo ela, o debate sobre falta de engajamento da nova geração precisa ser revisto à luz dos dados.
Sentimento de valorização
A leitura, diz Gaya, mostra que não se trata de desinteresse pelo trabalho, mas de uma mudança na forma de enxergá-lo. “Muito se fala de que a nova geração não quer se engajar no ambiente de trabalho, mas o que os dados mostram é que não é necessariamente que eles não querem se engajar.”
Percepção
O que aconteceu é que existe uma mudança, um deslocamento da forma, da percepção de como o mercado de trabalho deve ser para essa juventude.” Nesse cenário, o vínculo emocional com a empresa ganha peso. “Hoje não basta você ter uma posição no mercado de trabalho, você precisa se sentir valorizado, pertencente, reconhecido.”
Bem-estar
O período pós-pandemia reforçou essa virada. Gaya observa que o trabalho deixou de ser o centro absoluto da vida. “O que a gente vê pós pandemia é que o bem estar, ele foi deslocado do ambiente de trabalho. Hoje, esses jovens, eles entendem que o trabalho, ele é um propulsor para oportunizar que se tenha uma vida boa.”
Redes sociais
Ao mesmo tempo, a velocidade das redes sociais ampliou a expectativa por retorno imediato. “Com redes sociais e internet, o mundo está cada vez mais veloz. E esses jovens, eles têm um ritmo de necessidade, de reconhecimento e de validação muito mais acelerado.”
Urgência
Essa urgência também aparece na relação com líderes e empresas. “Hoje existe uma urgência de validação e reconhecimento num tempo quase que real desses jovens. E eles precisam de feedback”, disse. Sem esse retorno constante, a sensação de desconexão surge mais rápido.
Eles preferem a CLT
A discussão sobre formatos de contratação também entra nesse contexto. “Não é exatamente uma rejeição a CLT. O que existe é sim uma demanda grande por busca de estabilidade”, explicou.
O ponto de tensão, segundo Gaya Machado, está no modelo tradicional de jornada rígida. “O que eles rejeitam é o antigo formato de CLT, que é aquele formato da CLT presencial das oito às 18, com marcação de ponto, sem flexibilidade.”
Busca por segurança
Ainda assim, a busca por segurança permanece. “O que esse jovem quer é segurança e estabilidade. Ele busca sim, empresas que tragam vínculos mais fixos, mas que entendam que o formato do trabalho ele mudou.” A flexibilidade, portanto, aparece como um componente central para retenção de talentos.
Saúde mental
Outro alerta está na chamada saúde social. “A previsão é que nos próximos 10 a 15 anos seja a nossa saúde mental. É o pertencimento, a valorização, o reconhecimento”, afirmou. Ela também chamou atenção para o impacto do isolamento: “O isolamento social, ele é proporcional a você fumar 15 cigarros por dia.”
É preciso entender e compreender
Para as empresas, a conclusão é direta. “Se a gente não entender como eles funcionam e não preparar esses jovens para o mercado de trabalho e preparar o mercado de trabalho para eles, vai existir um descompasso de apagão de mão de obra que a gente já está vendo.”






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