Sanção dos EUA a brasileiros envolvidos com PCC atrapalhou investigação no Brasil, diz PF
Brasileiro acusado de lavagem de dinheiro de tráfico de drogas na Flórida está foragido
O anúncio, pelo governo norte-americano, da aplicação de sanções a dois empresários brasileiros por conta de supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), divulgado na quarta-feira, 1º, foi feito sem informar às autoridades brasileiras, que também investigavam o mesmo caso, e, na avaliação da Polícia Federal, atrapalhou o processo de localização dos acusados. Um deles está foragido desde a divulgação das sanções pelos Estados Unidos.
Na quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos tornou pública a decisão de aplicar medidas restritivas dentro do país contra três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa, assim como dois cidadãos brasileiros, acusados de lavar dinheiro gerado pelo tráfico internacional de drogas.
Foi a primeira decisão do gênero depois de Washington classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais, em 28 de maio. A classificação permite ao Estado americano bloquear bens, transações e outros direitos de empresas e indivíduos nos Estados Unidos que estejam envolvidos em operações internacionais que, no entendimento do país, ferem a sua segurança.
Segundo o Tesouro americano, os dois brasileiros sancionados foram Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. São as mesmas duas pessoas que estão entre os alvos da operação que a PF brasileira deflagrou na manhã desta sexta-feira, 3 – a Operação Exchange (câmbio em inglês), que investiga o grupo acusado de movimentações ilícitas de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Os valores transacionados montam a 10 bilhões de reais, de acordo com a PF.
Stella Oliveira foi presa, mas o outro investigado, Victor Shimada, está foragido. A avaliação da polícia é de que o anúncio das sanções pelo governo dos EUA dificultou a sua localização, de acordo com informações da BBC News Brasil. “Não houvesse essa designação, o desfecho seria outro”, disse a jornalistas o diretor da PF, Andrei Rodrigues. “Não localizamos (Shimada). Houve um prejuízo à investigação”, acrescentou.






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