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Santander desaba após balanço decepcionar; CFO vê melhora só em 2027

Executivo disse não estar otimista com os resultados da empresa em meio ao cenário macroeconômico

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 15h31
Santander desaba após balanço decepcionar; CFO vê melhora só em 2027 Priorizar nos meus resultados Google

As ações do Santander despencam no pregão desta quarta-feira, 29, após o mercado reagir negativamente aos resultados do segundo trimestre de 2026. Além do desempenho abaixo das expectativas, a perspectiva para os próximos trimestres também decepcionou os investidores. Segundo o diretor financeiro (CFO) do banco, Carlos Muñiz, que comandou a teleconferência em meio à transição de gestão, uma melhora consistente nas provisões deve ocorrer apenas a partir do início de 2027.

Por volta das 15h30, os papéis do Santander recuavam 6,79%, cotados a 25,79 reais. O banco registrou lucro líquido gerencial de 3 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou abaixo da expectativa do consenso da Bloomberg, que projetava lucro de 3,4 bilhões de reais.

O desempenho foi pressionado pela deterioração da qualidade da carteira de crédito. A inadimplência acima de 90 dias aumentou, exigindo um reforço nas Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), o que reduziu a rentabilidade e comprometeu o lucro da instituição.

A margem financeira bruta, que representa a diferença entre o custo de captação e as receitas das operações de crédito, permaneceu praticamente estável em 15,3 bilhões de reais, com leve recuo de 0,4% na comparação anual.

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Já a inadimplência superior a 90 dias avançou de 2,6% para 3,3% em um ano, alta de 0,7 ponto percentual. Para absorver esse aumento dos calotes, o Santander ampliou em 11,5% as despesas com provisões, que somaram 7,6 bilhões de reais ao fim do trimestre.

Como consequência, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 12,5%, recuo de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025. O indicador também permaneceu abaixo da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, referência frequentemente utilizada pelo mercado como custo de oportunidade do capital.

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A deterioração dos indicadores ocorre justamente durante a troca no comando da instituição. Mario Leão deixou a presidência-executiva no início de julho e foi substituído por Gilson Finkelsztain. Como a mudança ocorreu apenas no encerramento do trimestre, o balanço ainda reflete integralmente a estratégia conduzida pela antiga gestão.

Em meio à transição, a teleconferência de resultados foi conduzida pelo CFO, Carlos Muñiz. O executivo adotou um tom cauteloso e evitou apresentar projeções mais detalhadas, visto que a nova administração ainda está avaliando quais serão os próximos passos do banco.

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Apesar disso, Muñiz sinalizou que a recuperação tende a ser gradual. “Pessoalmente, não estou otimista”, afirmou o executivo ao comentar as perspectivas para os próximos resultados diante de um cenário macroeconômico adverso, com juros e endividamento das famílias em patamares elevados.

Segundo ele, o banco ainda deve registrar crescimento das provisões, o que continuará pressionando a rentabilidade nos próximos trimestres. 

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“Se tivesse que colocar uma data para a melhoria desses aspectos, provavelmente estaria no começo de 2027, mais do que no fim de 2026”, disse.

Nos demais temas abordados durante a teleconferência, Muñiz indicou que o Santander manterá, por ora, as principais diretrizes adotadas na gestão de Mario Leão. Entre elas estão a redução da exposição da carteira de crédito à população de menor renda e a manutenção de uma política mais conservadora de concessão de crédito, priorizando ativos considerados mais resilientes. Mudanças estruturais na estratégia deverão ser anunciadas apenas pelo novo presidente-executivo, Gilson Finkelsztain.

O que os analistas esperam do Santander?

Na avaliação do Citi, o Santander teve um trimestre fraco, principalmente em razão do aumento das despesas com provisões. Ao mesmo tempo, o banco destaca que a instituição continua reposicionando sua carteira para segmentos mais rentáveis, como financiamento ao consumo, cartões de crédito e pequenas e médias empresas (PMEs), enquanto reduz a exposição a linhas de varejo de menor retorno.

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Diante desse cenário, o Citi espera que o custo de risco recue gradualmente nos próximos trimestres em relação ao nível observado entre abril e junho, embora permaneça acima dos patamares registrados em 2025, mantendo pressão sobre a rentabilidade.

Os analistas também observam que a reestruturação da carteira de crédito é um processo demorado. “Essa mudança leva tempo. Por isso, acreditamos que as ações do Santander Brasil devem permanecer pressionadas no curto prazo”, afirmam Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi, em relatório.

O Safra também classificou o resultado como negativo. Segundo o banco, embora o aumento das provisões já fosse parcialmente esperado, o balanço decepcionou principalmente por causa da margem financeira e das indicações de que a deterioração dessa linha deve continuar ao longo do segundo semestre de 2026.

“Estimamos que essa tendência negativa da receita financeira com clientes deve persistir, mantendo o retorno sobre o patrimônio (ROE) abaixo de 15% por um período prolongado, o que sustenta nossa recomendação neutra”, afirmam Daniel Vaz e Rafael Nobre, autores do relatório.

Em resumo, o Santander atravessa um momento desafiador em meio à mudança de comando. Tanto a nova administração quanto os analistas de mercado avaliam que a recuperação será lenta, exigindo paciência dos investidores até que a estratégia de reestruturação da carteira de crédito produza resultados mais consistentes.

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