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Tensão no Oriente Médio devolve incerteza aos mercados e pressiona Ibovespa

Petróleo elevado e cenário externo pressionam ativos; analista aponta volatilidade à frente

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 abr 2026, 11h18
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O Ibovespa iniciou o pregão desta sexta-feira (24) em queda, aos 190 875 pontos, dando sequência ao movimento negativo da sessão anterior, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais diante da escalada das tensões no Oriente Médio.

No noticiário corporativo, a Usiminas (USIM5) reportou um salto expressivo no lucro do primeiro trimestre, que mais que dobrou e alcançou 896 milhões de reais, conforme balanço divulgado nesta manhã. No campo dos indicadores, a confiança do consumidor brasileiro avançou em abril e atingiu o maior patamar desde dezembro, segundo a FGV. Em contrapartida, dados do Banco Central mostraram que o país registrou um déficit em conta corrente acima do esperado em março. Ainda assim, o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira permaneceu positivo, com entrada líquida de 138 milhões de reais no período.

Entre as ações, o setor bancário apresentava desempenho misto no início dos negócios. O Banco do Brasil (BBAS3) recuava -0,52%, enquanto o Itaú (ITUB4) caía -0,18% e o Santander (SANB11) tinha baixa de -0,17%. Na ponta positiva, o Bradesco (BBDC4) avançava 0,30%. No varejo, o tom também era negativo, com Americanas (AMER3) liderando as perdas, em queda de -1,33%, seguida pela Petz (AUAU3), que recuava -1,32%. Em sentido oposto, a Arezzo (AZZA3) se destacava entre as altas, com valorização próxima de 3%.

Para Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos, o preço do petróleo permanece alto, impactando a economia brasileira, e o governo tenta mitigar os efeitos com cortes tributários nos combustíveis. “Com juros elevados, os investidores devem focar em ativos com bom valuation e resiliência, especialmente em commodities e empresas com forte geração de caixa, já que a volatilidade e as incertezas externas continuam a dominar o cenário”, explica.

Cenário internacional

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No exterior, o petróleo acumula valorização superior a 17% na semana e caminha para registrar seu maior ganho semanal desde o início do conflito, em março, refletindo a percepção de que uma solução rápida para a guerra está cada vez mais distante. Já o minério de ferro negociado na China encerrou a sessão com leve alta, sustentado pela demanda consistente por aço, que tem compensado as expectativas de aumento na oferta da commodity. O dólar operava em alta aos 5,04 reais às 11h20.

Segundo Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o ambiente voltou a ser marcado por incertezas após um breve período de otimismo. “Se na semana passada o mercado encerrou com expectativa de negociação entre Estados Unidos e Irã, agora o cenário voltou a ser de incerteza. O principal ponto de atenção, que é o Estreito de Ormuz, segue fechado e continua pressionando o preço do petróleo”, afirma.

Apesar do cenário externo mais desafiador, o especialista destaca que o câmbio tem mostrado relativa estabilidade. “O mercado ainda aposta em alguma negociação, o que ajuda a explicar a estabilidade do dólar frente ao real. Além disso, o Brasil se beneficia de fatores internos, como o diferencial de juros elevado”, explica.

Yamashita também chama atenção para a agenda da próxima semana, que deve trazer mais volatilidade aos mercados globais. “A semana será bastante movimentada, com decisões de política monetária nos Estados Unidos e divulgação de resultados de grandes empresas de tecnologia, como Microsoft e Meta”, diz.

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