Totvs impressiona pelo forte crescimento em um mercado com uma concorrência implacável
Empresa é a orincipal fornecedora de softwares de gestão para pequenos e médios negócios
O mercado brasileiro de tecnologia da informação (TI) movimentou 67 bilhões de dólares (cerca de 342 bilhões de reais) em 2025, consolidando-se como o décimo maior do mundo. A cifra representa um crescimento de 19%, acima da média mundial de 14%, sendo puxada pela computação em nuvem e pelos programas de gestão. São áreas que exigem contínua modernização e inovação. Por isso, para se manter no topo, a Totvs busca se adaptar tanto às novas tecnologias quanto às demandas dos clientes — um esforço que vale a pena. Pelo segundo ano consecutivo, ela é a campeã na categoria tecnologia da informação da edição especial TOP30 — As Melhores Empresas do Brasil.
O setor de TI vem sendo impulsionado também pela inteligência artificial. A IA passou a integrar softwares de gestão, assim como a nuvem consolidou modelos de prestação de serviço por assinatura. Segundo a Fundação Getulio Vargas, o mercado brasileiro de softwares de gestão é dominado por três marcas: a Totvs, com 34% de participação, a alemã SAP (34%) e a americana Oracle (10%). A Totvs prevalece em quase metade das pequenas e médias empresas, enquanto a SAP está na maioria das grandes corporações.
Para Fernando Meirelles, professor da FGV e coordenador da pesquisa, a liderança da Totvs baseia-se nas compras de empresas de nicho, nos esforços para integrar as soluções adquiridas ao seu sistema e na incorporação de novas tecnologias, como a IA. Meirelles observa que a fatia de mercado da companhia tem se preservado ao longo dos anos, mesmo diante da tendência de verticalização, com cada ramo da economia demandando softwares mais específicos, como os desenvolvidos para gestão hospitalar ou para a indústria química. “Essa estabilidade é um milagre”, diz o professor. Para reagir à verticalização, a Totvs aposta na absorção de rivais. Em 2025, por exemplo, adquiriu a Linx, especializada em softwares de gestão de varejo, por mais de 3 bilhões de reais.
As aquisições, porém, não alteram o seu DNA. “Escolhemos ser uma empresa essencialmente brasileira porque os pequenos e médios clientes que atendemos exigem presença física e próxima de times comerciais, de implantação e de suporte”, diz Dennis Herszkowicz, presidente da Totvs. Mais de 90% da receita, que somou 5,8 bilhões de reais no ano passado, é recorrente, o que garante previsibilidade de caixa. “Queremos ser vistos como o parceiro que resolve qualquer necessidade com uma infinidade de soluções adjacentes, tais como serviços financeiros de crédito e cash management”, afirma Herszkowicz. O objetivo é ampliar o chamado share of wallet, ou seja, a parcela do orçamento que os clientes destinam a investimentos em tecnologia da informação. “Nossa receita cresce dois dígitos há trinta trimestres”, acrescenta o executivo. Trata-se de um ritmo impressionante em um mercado bastante competitivo — e nada indica que a Totvs vai desacelerar.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







