Vale (VALE3) tem operação positiva, mas custos e impostos pressionam lucro
Aumento de impostos é um dos fatores que prejudicaram o lucro da mineradora
A Vale (VALE3) reportou um resultado misto no segundo trimestre de 2026, avaliam analistas consultados por VEJA Negócios nesta sexta-feira, 31. O lucro líquido ficou abaixo do esperado, pressionado pelo aumento dos impostos sobre o lucro, pela valorização do real frente ao dólar e pela alta dos custos com combustíveis e frete marítimo. Por outro lado, o desempenho operacional surpreendeu positivamente. Na linha do Ebitda, indicador que mede a capacidade de geração de caixa da empresa, os números vieram acima das projeções.
A mineradora registrou lucro líquido de 1,37 bilhão de dólares no segundo trimestre, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou 32% abaixo da estimativa da Genial Investimentos.
Na avaliação dos analistas, o lucro não reflete o desempenho operacional da companhia. O Ebitda superou as expectativas, enquanto a queda do lucro foi influenciada principalmente por fatores externos, como a valorização do real frente ao dólar, o aumento da carga tributária e a elevação dos custos de frete em meio à guerra no Oriente Médio.
A XP Investimentos classificou o balanço como marginalmente positivo. O Ebitda ajustado pro forma atingiu 4,1 bilhões de dólares, 4% acima das estimativas da corretora. “O indicador foi impulsionado principalmente pela redução dos custos diretos de produção de minério de ferro (cash cost C1), que ficaram abaixo das expectativas do mercado”, afirmam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, autores do relatório da XP.
Apesar do bom desempenho operacional, a Vale revisou para cima sua projeção de custo de produção do minério de ferro. A estimativa passou da faixa de 20 a 21,5 dólares por tonelada para entre 22,5 e 23,5 dólares por tonelada.
“Vemos esse movimento como amplamente antecipado pelo mercado, refletindo a valorização do real frente ao dólar e os preços mais elevados do petróleo Brent”, destacam os analistas da XP.
Mesmo diante de um Ebitda acima do esperado, os analistas mantiveram recomendação neutra para as ações da mineradora. Na avaliação das casas de análise, fatores externos, como os custos mais elevados de frete marítimo decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã, devem continuar pressionando os resultados nos próximos trimestres.
“Para elevar nossa recomendação para compra precisaríamos observar uma recomposição dos volumes, maior resiliência dos prêmios e evidências de que o atual pico de custos é transitório. Ainda não enxergamos esse cenário diante do contexto macroeconômico, o que exige cautela com o ativo”, afirma Luca Vello, analista da Genial Investimentos.







