Vemos pressão da inadimplência, que cresce de forma generalizada, diz CEO do Bradesco
Executivo diz que carteira de crédito do banco está protegida para cenário macroeconômico adverso em 2027
O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o sistema financeiro deve enfrentar maior pressão da inadimplência, após dados do Banco Central mostrarem uma alta generalizada dos calotes nas carteiras de crédito. A declaração foi feita nesta sexta-feira, 23, em entrevista coletiva após a divulgação dos resultados do banco.
Embora reconheça o cenário difícil para o setor, o executivo ponderou que o Bradesco está preparado para enfrentá-lo, pois sua carteira de crédito está concentrada em linhas mais seguras.
“Dados do Banco Central mostram um aumento generalizado da inadimplência e, por isso, esperamos pressão para todo o mercado no índice de inadimplência e no custo do crédito”, afirmou Noronha. “Quando olhamos para nós, notamos que estamos preparados para esse cenário, pois nossa carteira tem um mix mais seguro que no passado.”
O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de 20,9 bilhões de reais no acumulado de 2026 até setembro, alta de 15,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. No terceiro trimestre, o lucro chegou a 7,1 bilhões de reais, avanço de 15,6% em relação a igual período de 2025.
Apesar do crescimento do lucro, o resultado foi considerado misto por analistas da XP Investimentos. Segundo a corretora, o avanço do indicador foi favorecido pelo controle de custos, que recuaram 1% na comparação anual. Por outro lado, o a corretora diz que o custo do crédito absorve grande parte do crescimento das receitas, limitando o potencial de expansão da rentabilidade medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês).
A pressão também aparece nos indicadores de qualidade do crédito. O índice de inadimplência acima de 90 dias avançou 0,5 ponto percentual em 12 meses, para 4,6% ao fim do terceiro trimestre de 2026. No mesmo período, as Provisões para Devedores Duvidosos somaram 30,2 bilhões de reais, alta de 24,4% na comparação anual.
Para Noronha, o cenário deve continuar desafiador em 2027. O banco prevê crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Além disso, o comprometimento da renda das famílias deve permanecer elevado em um ambiente de juros altos, dificultando a concessão de crédito.
“Então, eu vejo um horizonte de maior pressão no custo de crédito com um índice de inadimplência um pouco maior, mas eu tenho a segurança de que a nossa carteira está preparada para esse cenário”, concluiu o executivo.






