A absurda decisão que remete a um episódio com Garrincha em 1962
Em tempo de tecnologia e VAR é constrangedor tirar o cartão vermelho do atacante Balogun, dos Estados Unidos
A bola tem chip. Os bandeirinhas são quase desnecessários, dado o uso automático da tecnologia para saber se foi ou não foi impedimento. O VAR enxerga em câmera lenta até o que não aconteceu. Tudo muito bem, e viva a precisão contra a dúvida. Contudo, quando se trata de tomar decisões absurdas, a Fifa manda às favas as novidades e volta ao tempo do vale-tudo. É inaceitável – por mais explicações que possam ser oferecidas, por mais simpatia que o atacante da seleção dos Estados Unidos, Folarin Balogun, emane – a decisão de revogar o cartão vermelho que o atacante levou na partida contra a Bósnia. O juiz foi o brasileiro Raphael Claus, que só faltou se convidado a sentar em um míssil na direção do Irã.
Balogun, ainda que supostamente sem querer, deu uma entrada dura em demais no jogador da Bósnia, que torceu o tornozelo. Os cartolas americanos entraram com o pedido de revogação junto |à Fifa, que usou uma cláusula, de número 27, de modo a defender o indefensável: “o órgão judicial pode decidir suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar”. E então, Balogun deve estar em campo contra a Bélgica, pelas oitavas de final.
O episódio revela uso incorreta de janelas regulamentares para mudar a história. Com tanto apoio de câmeras, de palpites, tanta câmera lenta, deu-se um jeito de pegar um atalho irresponsável. Agora, em 2026? O sumiço do cartão vermelho remete a um episódio de 64 anos atrás. Foi em 1962, na Copa do Chile, vencida pelo Brasil. Garrincha, o dono do torneio, foi expulso na semifinal, contra o Chile. Depois se sofrer uma sucessão de faltas, o anjo da perna torta revidou, revidou com um pontapé no chileno Rojas e foi mais cedo para o chuveiro. Como o árbitro Arturo Yamasaki não anotou a expulsão na súmula, os dirigentes brasileiros foram aos bastidores e deram um jeito de o camisa 7 disputar a final, contra a Checoslováquia. Uma comissão da Fifa absolveu o brasileiro. Pelé já tinha sido posto de lado, contundido. Sem Garrincha? Não, por ser o grande nome do torneio, e algum jeito seria preciso dar, que fosse na marra. Balogun não é Garrincha, mas a Copa de 2026 precisa dele sim, daí o tapetão na cara dura.
EM UM SÓ LUGAR






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