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A inexplicável traição de Ronaldo Fenômeno

Está na moda diminuir um personagem que nós deveríamos idolatrar por todo o sempre

Por Amauri Segalla Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jun 2026, 09h47 | Atualizado em 18 jun 2026, 10h30
A inexplicável traição de Ronaldo Fenômeno Priorizar nos meus resultados Google

Há muitas opiniões que um brasileiro pode ter sobre futebol. Pode preferir Zidane a Zico. Pode achar Harry Kane maior que Romário. Pode defender que Iniesta superou Ronaldinho Gáucho. Pode até sustentar que Cristiano Ronaldo foi melhor do que Ronaldo Fenômeno. Mas existe uma fronteira que um ídolo da seleção brasileira deveria evitar atravessar. E o próprio Ronaldo Fenômeno atravessou.

Em entrevista ao jornal espanhol Mundo Deportivo, horas depois de mais uma atuação de gala de Lionel Messi na Copa do Mundo, o ex-camisa 9 decretou que chegou a hora de o mundo aceitar que o argentino é “o melhor jogador de todos os tempos”. A declaração veio no rastro do hat-trick de Messi contra a Argélia, resultado que igualou o argentino a Miroslav Klose como maior artilheiro da história das Copas e, de quebra, tirou o próprio Ronaldo do posto de segundo maior goleador de Mundiais.

Você jamais vai ver um craque argentino desdenhando de Messi ou Maradona para enaltecer um estrangeiro. Ele pode até preferir um ao outro, mas não rebaixa nenhum dos dois para coroar um rival. Aqui no Brasil a gente faz isso. Trocamos os próprios ídolos por quem está brilhando no momento, como se a grandeza de fora apagasse a nossa.

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Pelé não é apenas um ex-jogador. Pelé é o motivo pelo qual essa discussão existe. Antes dele, nenhuma seleção virou sinônimo universal de excelência, e o futebol não parecia, ao mesmo tempo, tão simples e tão impossível. Messi tem uma Copa. Pelé tem três. Messi é o maior jogador da própria geração. Pelé redefiniu o esporte.

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Messi construiu a carreira em gramados impecáveis, sob medicina esportiva de ponta e arbitragem que protege o craque. Pelé jogava em campo esburacado, perseguido por zagueiros que confundiam marcação com tentativa de homicídio, e ainda assim produzia lances que, setenta anos depois, continuam parecendo obra da inteligência artificial.

Ronaldo sabe tudo isso. Certamente cresceu ouvindo histórias de Pelé e carregou nas costas parte dessa herança. Talvez seja exatamente por isso que a frase incomoda tanto. Não veio de jornalista espanhol, comentarista argentino ou ex-companheiro de Messi. Veio de um brasileiro. Pior: veio de um dos maiores brasileiros da história do futebol. Pelé não merece isso.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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