A polêmica que uniu França e Espanha antes da semifinal da Copa do Mundo
Ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy fez declaração racista sobre jogadores franceses
O clima de rivalidade antes de uma semifinal de Copa do Mundo é alto. Não faltam provocações, colocar o peso do favoritismo do outro lado e até mesmo pedido de aniversário por uma vitória. É esta a atmosfera do jogo entre França x Espanha nesta terça, 14, às 16h (horário de Brasília), no estádio de Dallas, nos Estados Unidos. Mas em meio à tensão pré-jogo um fator uniu franceses e espanhóis do mesmo lado: o combate ao racismo.
No último dia 10 de julho, o ex-primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, escreveu em sua coluna de opinião no jornal
El Debate que a seleção francesa tem um “plantel de altíssimo nível”, mas “sem franceses”.
O membro do Partido Popular (PP) da direita espanhola elogiou o adversário da seleção de seu país na semifinal da Copa do Mundo, lembrando que a França foi campeã do mundo duas vezes, foi vice-campeã na última edição, venceu todas as partidas que jogou no atual Mundial e é líder do ranking de seleções da Fifa.
“Dito isso, não tem nenhum jogador francês. E está jogando muito bem. Será um adversário formidável”, escreveu em seguida.
A declaração foi imediatamente criticada pelo atual primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez:: “A Espanha é de quem a ama e a trabalha. Não de quem a envergonha com declarações xenofóbicas. França, nos vemos nas semifinais. Que vença o melhor e que perca o racismo.”
Os jogadores espanhóis também se posicionaram contrários.
“Se eles jogam pela seleção francesa, são franceses, independentemente da cor da pele. Devemos demonstrar tolerância com todos, pois todos merecemos respeito”, disse o zagueiro Cubarsí à rádio catalã RAC 1.
“Isso me surpreende e me entristece. Consigo entender que ele não tenha dito isso com más intenções, mas é preciso ter mais cuidado com esse tipo de comentário. O multiculturalismo da França é uma riqueza. Somos todos diferentes, é isso que nos enriquece” disse o atacante Iglesias à
DAZN.
Na seleção francesa, o volante Warren Zaïre-Emery saiu em defesa de si próprio e de seus companheiros: “Esta seleção tem jogadores de diferentes origens. Somos um grupo unido, uma equipe unida, e é isso que importa.”
Jean-Noël Barrot, ministro das Relações Exteriores da França afirmou que o país “não tem cor de pele”, ao canal de notícias francês
BFMTV, e que “qualquer afirmação em sentido contrário é uma estupidez, racismo ou uma combinação de ambos.”
Há lutas em que até as maiores rivalidades do futebol são deixadas de lado, e há apenas o lado certo e o errado.
EM UM SÓ LUGAR






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