A seleção não assusta como antes, mas pode ganhar a Copa
Os rivais já não tremem diante da camisa amarela, mas a ausência de favoritismo pode ser o que o Brasil precisa para sonhar com o título
A seleção brasileira ainda impõe medo? A resposta é curta e um pouquinho dolorosa: nem tanto. O Brasil de Ancelotti não chega ao Mundial como favorito – e existem razões concretas para isso. O time não tem um craque incontestável, aquele que provoca arrepios nos adversários. Vinicius Júnior é o nosso principal destaque, mas ainda não transferiu para a seleção o brilho que exibe no Real Madrid. Na Europa, decide jogos grandes. Com a camisa amarela, continua devendo atuações à altura de seu talento.
Isso não significa que o Brasil seja fraco. Significa apenas que já houve versões muito mais assustadoras da seleção. Quando o Brasil entrava em campo com Romário, Ronaldo, Rivaldo ou Ronaldinho, havia um componente psicológico que jogava a favor antes mesmo do apito inicial. Os adversários sabiam que um lance bastava para mudar tudo. Hoje, a sensação é diferente. O elenco é bom, mas não extraordinário. Vamos admitir: nenhum jogador da seleção provoca temor genuíno nos rivais.
As grandes seleções europeias já não olham para o Brasil como olhavam antigamente. Enxergam uma equipe competitiva, capaz de vencer qualquer adversário em um dia inspirado, mas também vulnerável o suficiente para ser eliminada. E, honestamente, não estão erradas.
Ainda assim, há um detalhe importante: Copa do Mundo nem sempre é vencida pela seleção mais talentosa (o Brasil de 1982 que o diga). É vencida pela mais equilibrada, pela que atravessa melhor os momentos de pressão, pela que consegue crescer ao longo do torneio (exatamente o que a Argentina fez em 2022). E é aí que o Brasil entra na conversa.
A seleção caiu em um grupo acessível, deve chegar às oitavas sem grande desgaste e tem uma expectativa modesta ao seu redor. Isso pode ser uma vantagem. Agora, entra alguns passos atrás de França e Espanha, talvez também atrás de Argentina e Inglaterra. O Brasil não carrega nas costas a fantasia de ser imbatível. E isso faz bem.
Além disso, torneios curtos costumam premiar treinadores experientes. E poucos no mundo acumulam o currículo de Carlo Ancelotti. Ele não é um técnico revolucionário nem costuma montar equipes brilhantes do ponto de vista estético. Mas sabe administrar elencos, controlar emoções e tomar decisões sob pressão. Em uma Copa, essas qualidades podem valer tanto quanto um grande craque. É verdade que Ancelotti tem feito um trabalho nota 5 na seleção, mas vamos esperar a Copa começar para ter um vislumbre melhor de seu desempenho.
O Brasil não é a melhor seleção do mundo, mas também está longe de ser um azarão. Não assusta como antes, mas continua tendo talento suficiente para competir com qualquer adversário. Em outras palavras: o Brasil não entra na Copa como o principal candidato ao título. Mas ninguém deveria ficar surpreso se, daqui a pouco mais de um mês, levantar a cobiçada taça.







