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A triste figura de Neymar na história das Copas

O beijinho irônico do camisa 10 direcionado ao goleiro da Noruega, depois do pênalti convertido, é o retrato melancólico da postura do jogador

Por Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jul 2026, 20h21 | Atualizado em 6 jul 2026, 19h11
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Há uma cena que entrará para a história do futebol brasileiro, mas no avesso: depois de bater o pênalti, marcado o gol de honra – ou desonra – do Brasil na derrota por 2 a 1 para a Noruega, Neymar, a seu estilo, deu um jeito de provocar o goleiro Orjan Nyland. Para que, sabendo que a partida tinha terminado, já passados oitos minutos de acréscimos? “Comigo não, comigo não”, disse o brasileiro depois de pôr a bola na rede. Comigo não o quê? A postura de Neymar, ridícula e desnecessária, ajuda a mostrar como ele ficará carimbado nas enciclopédias da bola – deve ter sido um dos maiores, senão o maior, desperdício de um craque.

De trás para a frente: para que mesmo Neymar foi convocado, qual a utilidade dentro de campo? Em gesto de desespero, Carlo Ancelotti decidiu pô-lo em campo. O camisa 10 do Santos nada fez. O pênalti bem batido não conta. E, então, fica a pergunta que não quer calar: como veremos a carreira de Neymar pela seleção brasileira? Ok, no Santos e no Barcelona, ao lado de Messi, teve momentos de brilho. Mas, e na amarelinha?

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Pouco, muito pouco. Ok, ele é o maior artilheiro, com 80 gols – incluindo o de hoje – em 129 partidas. Ganhou o ouro na Olimpíada de 2016, mas numa final disputada contra uma Alemanha de meninos. De resto, a trajetória é ruim. Em 2014, fez quatro gols em cinco jogos – e por estar machucado, e por sorte, escapou do 7 a 1. Em 2018, fez dois gols em cinco jogos – e ficou famoso pelo cai-cai, até hoje dando cambalhotas no gramado. Em 2022, marcou duas vezes e se destacou pela bronca que deu nos companheiros depois do empate contra a Croácia, em 1 a 1, em partida que seria resolvida nos pênaltis. Em 2026, um gol, mas esse seria melhor nem lembrar. Em 2014, levou a amarelinha até a semifinal. Em 2018 e 2022 até as quartas. Em 2026, mal ajudou o time a cair nas oitavas de final.

Neymar, com camisa amarela e shorts azuis, olha para um goleiro de camisa verde com HYLAND e 1 nas costas, segurando uma bola. Ambos estão em um campo de futebol, com torcedores ao fundo
(Alexandre Battibugli/VEJA)
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Haverá quem diga: mas nove gols não está bom? Não está, porque, à exceção de 2026, as esquipes foram desenhadas para que ele brilhasse. Com um lembrete constrangedor: Haaland apenas na atual competição marcou sete vezes. Messi e Mbappé, idem. É uma pena – e, insista-se, desperdício – ter a certeza, agora, de que em Copas Neymar sairá pela porta dos fundos. O beijinho irônico oferecido ao goleiro da Noruega é a marca da dimensão do jogador. O choro no banco – ainda que seja leviano tratá-lo desse modo –, soa como lágrima de crocodilo, falso como uma moeda de 3 reais. A “era Neymar” chegou ao fim.

Neymar Jr. chorando, com lágrimas escorrendo pelo rosto, sendo abraçado e beijado na testa por outro jogador, ambos vestindo camisas amarelas da seleção brasileira. No canto inferior esquerdo, um placar indica Brasil 1 x 2 Noruega
O choro do camisa 10 no banco: falso como moeda de 3 reais (./Reprodução)

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