A vitória da superação: a glória do esporte paralímpico no Brasil
Na entrada do novo século que o setor deu uma guinada fenomenal
Surgido no Brasil nos anos 1950, quando o basquete em cadeira de rodas foi importado dos Estados Unidos, o esporte paralímpico pareceu por décadas fadado a ser um irmão menor das modalidades convencionais. O país conquistou sua primeira medalha nos Jogos Paralímpicos de Toronto (1976), na modalidade lawn bowls (antecedente da bocha praticada na grama). Mas foi na entrada do novo século que o setor deu uma guinada fenomenal. Em Sydney (2000), pela primeira vez a performance paraolímpica brasileira superou a da Olimpíada em si: o país ficou no 24º lugar, desempenho bem superior ao 52º posto nas categorias tradicionais. Desde então, ninguém mais segurou nossos craques paralímpicos. Se nas Olimpíadas ainda acumulamos resultados medianos, nas Paralimpíadas o Brasil é uma potência indisputável. Ficar entre os cinco maiores em Paris (2024) foi um momento histórico nessa evolução. “Os outros países querem saber nosso segredo”, diz Yohansson Ferreira, medalhista no atletismo e vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A resposta está na capilaridade do movimento, de festivais e programas espalhados pelo país ao Centro de Treinamento do mais alto nível em São Paulo — um legado concreto da Rio 2016. E, claro, é mérito de gerações talentosíssimas, com heróis como Robson Sampaio, Daniel Dias, Terezinha Guilhermina, Carol Santiago e Gabrielzinho. “O esporte é uma vitrine para a potencialidade da pessoa com deficiência”, diz Ferreira. Essa glória já é brasileira.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000







