Americanos tentam se desvencilhar do caso Balogun
Técnico Pochettino e líderes do elenco dizem que polêmica em torno da suspensão do gancho do atacante não abalou o time
Toda torcida eliminada busca um vilão para a derrota. Nos Estados Unidos, a imprensa e as redes sociais já elegeram o culpado pela apatia da seleção local contra a Bélgica, quando o time levou um 4 a 1 frente a um estádio de Seattle abarrotado: o caso Balogun. A suspensão do gancho do artilheiro do time na Copa, que deveria ficar de fora por ter recebido um cartão vermelho nos 16 avos de final, foi o principal assunto do futebol por dois dias inteiros. Pudera. O presidente Trump gabou-se publicamente de ter ligado para o mandatário da Fifa, Gianni Infantino, pedindo a revisão da punição, no que foi atendido. E o mundo caiu na cabeça do time.
Antes das oitavas, jogadores e técnico louvaram a medida, que classificaram como justa. Agora, eliminados, jogadores americanos e o técnico Mauricio Pochettino, ainda precisam dar explicações sobre o assunto que, a rigor, não teve interferência deles. “Isso não afetou nosso desempenho. Não é desculpa”, disse Pochettino. “Acho que não fomos bons o suficiente. Não foi o nosso dia. Não jogamos da forma como deveríamos jogar, nem mostramos nossa qualidade. Tudo o que estava acontecendo ao redor [da situação de Balogun] estava ao nosso redor, mas acho que não foi algo que nos afetou como grupo”.
O meia Tyler Adams, autor do primeiro gol do jogo, concordou, dizendo que o retorno de Balogun foi, na verdade, algo positivo, já que a equipe recuperava seu principal artilheiro para o jogo mais importante da temporada. “Acho que, quando aconteceu, foi uma surpresa para nós tanto quanto foi para vocês”, disse Adams. “Não acho que esse barulho, ou qualquer coisa assim, tenha nos afetado de forma alguma. Se alguma coisa fez, provavelmente nos motivou.”
O capitão Tim Ream repetiu o discurso quase palavra por palavra, a ponto da fala parecer ter sido combinada. “Barulho externo. Temos feito um bom trabalho, como grupo, em deixar o barulho externo do lado de fora”.
Depois de marcar três gols nos quatro primeiros jogos dos Estados Unidos, Balogun teve uma atuação discreta contra a Bélgica. Tocou pouco na bola e foi substituído na parte final da partida.
Adams defendeu o colega e dividiu a culpa da derrota com todo o elenco. “Acho que ele tentou, hoje, ser uma presença e um incômodo, e às vezes ficava se posicionando atrás da bola e fazendo o que costuma fazer. Só não teve muitas oportunidades hoje”.
A seleção que vinha sendo apontada como o símbolo de um novo momento do futebol dos Estados Unidos luta agora para não virar o ícone de uma mancha política que, para ser justo, não foi de sua responsabilidade.
EM UM SÓ LUGAR






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