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As ligações perigosas de Trump na Copa do Mundo

A suspeita de interferência política virou certeza quando o próprio presidente americano revelou a história

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 10 jul 2026, 06h00 | Atualizado em 10 jul 2026, 13h22
As ligações perigosas de Trump na Copa do Mundo Priorize VEJA no Google

Donald Trump entrou em campo na Copa do Mundo do jeito mais improvável possível: cancelando o cartão vermelho de um jogador. O presidente dos Estados Unidos telefonou para Gianni Infantino, o cartolão da Fifa, para pedir que a entidade revisse a expulsão de Folarin Balogun, principal atacante da seleção americana no torneio. O pedido foi atendido — e abriu uma das maiores crises de credibilidade da história da Fifa. Balogun havia sido enviado para o chuveiro pelo árbitro brasileiro Raphael Claus na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina. Pelas regras do futebol, expulsões são punidas com a suspensão automática do jogador na próxima partida. O atacante, portanto, estava fora das oitavas de final contra a Bélgica. Ainda assim, poucos dias depois, a Fifa trocou a suspensão por uma multa de 40 000 dólares e uma simples advertência.

A suspeita de interferência política virou certeza quando o próprio Trump revelou a história. “Eu nem sabia o que era um cartão vermelho”, disse no Salão Oval. “Vi o lance, aquilo não foi falta. Então, pedi, sim, uma revisão para a Fifa.” A reação foi proporcional ao absurdo da história. Até Joseph Blatter, ex-presidente da entidade banido por corrupção, apareceu para criticar a decisão: “Cartões vermelhos não são revertidos por telefonemas políticos”. A Uefa, associação que comanda o futebol europeu, também protestou, acusando a Fifa de ter cruzado uma linha perigosa. No final, a manobra de Trump não serviu para nada. Balogun enfrentou a Bélgica, mas os Estados Unidos foram goleados por 4 a 1 e se despediram da Copa. Os belgas ainda comemoraram o quarto gol imitando a famosa dancinha de Trump. Com medo de ser vaiado, o presidente não foi a um jogo sequer do Mundial. Ainda assim, deixou sua marca na competição, dada a incômoda intimidade que cultiva com Infantino.

Publicado em VEJA de 10 de julho de 2026, edição nº 3003

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