Brasil perde de 2 a 1 da Noruega e dá adeus melancólico ao sonho do hexa
Com show de Haaland, artilheiro implacável e sempre perigoso, o time europeu passa para as quartas, contra México ou Inglaterra
Pode soar um tantinho exagerado, mas é inevitável: a derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, remete a um outro 5 de julho como o de hoje, mas em 1982. A “Tragédia do Sarriá”, como nos acostumamos a lembrar da derrota do escrete de Zico, Falcão, Sócrates e cia. para a Itália de Paolo Rossi, é uma marca de dor para a história do futebol no país do futebol – “as verdades evidentes por si mesmas”, como na Declaração de Independência dos Estados Unidos. O resultado de Nova Jersey – 2 a 1, com dois gols de Haaland e um de Neymar – tende a sumir dos corações, mas levará algum tempo a ser digerido. De novo, em um 5 de julho? Sim, de novo, menos dramático, de outro modo, mas de novo.
O jogo começou com o controle de bola da Noruega. Aos 6 minutos, Patrick Berg balançou a rede, mas havia posição irregular de Alexander Sorloth na origem da jogada. O Brasil aos poucos reconquistou espaço. Aos 10 minutos, pênalti claro contra Matheus Cunha. Bruno Guimarães deu a corridinha irritante de sempre, bateu mal e perdeu. Foi a primeira penalidade perdida pelo Brasil durante um jogo de Copa (sem contar disputa de pênaltis) desde o Zico na Copa de 1986, contra a França. Havia mau presságio.
O desenho da partida era de sofrimento. A Noruega, com inteligência, tocava a bola em passes curtos, à espera de uma brecha de bola em profundidade para os grandalhões do ataque. O excelente volante Nusa parecia comandar a partida, apesar de uma sucessão de bolas perdidas afeitas a armar o contra-ataque brasileiro. Faltava, contudo, criatividade, especialmente no meio de campo. Já nos acréscimos, Alisson salvou a seleção ao defender um chute à queima-roupa, rasteiro, de Martin Odegaard, nos acréscimos dos 45 minutos iniciais. Martinelli, em contra-ataque, também quase marcou, de cabeça. A estatística nem sempre conta a verdade no futebol, mas ao fim do primeiro tempo o Brasil tinha apenas 31% de posse de bola, ante 61% da Noruega e 8% em disputa. Os europeus trocaram 681 passes e os brasileiros, 329. Era antecipação dos problemas que despontariam na segunda etapa.
Qual o sentido de o time supostamente mais hábil, o Brasil, entregar a bola ao adversário, à busca de um erro? Endrick perdeu um gol cara a cara com o goleiro, aos 14 minutos do segundo tempo, em lance que talvez tenha selado a história da partida. E se houve um herói – ou um vilão, do ponto de vista brasileiro – foi o goleiro Orjan Nyland, que fez milagres.
Ancelotti precisava fazer algo. Tirou Rayan para entrar Danilo. Sacou Martinelli para a entrada de… de Neymar. Parecia andar em campo, como se poderia imaginar. Então, aos 34 minutos do segundo tempo, Haaland, artilheiro implacável – e quem mais? – fez de cabeça, sozinho no miolo da área, diante de Danilo e Gabriel Magalhães quase presos ao gramado. Depois, a 5 minutos do final, marcou de novo, da entrada da área. Neymar ainda marcou de pênalti, mas não bastou. Era o fim do jogo, para tristeza do país do futebol – não foi como aquele 5 de julho de 1982, mas foi um outro 5 de julho. Pena. Neymar marcou de pênalti, provocou o goleiro, mas já não havia mais nada a fazer. Em 2030, serão 28 anos sem título. Ancelotti, fracassado, derrotado, terá agora que explicar: qual a estratégia de deixar a bola com a Noruega e, portanto, ao alcance de Haaland?
EM UM SÓ LUGAR






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