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Camisa ganha jogo, sim senhor

A classificação veio com duas decisões certeiras de Ancelotti e uma velha lembrança: o Brasil ainda é o Brasil

Por Amauri Segalla Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 16h31
Camisa ganha jogo, sim senhor Priorizar nos meus resultados Google

Repito aqui o título deste texto: camisa ganha jogo, sim senhor. Mas, desta vez, ganhou também porque havia um técnico do lado de fora capaz de não entrar em pânico quando todo mundo já preparava o velório da seleção. O Brasil venceu o Japão por 2 a 1, com gol nos acréscimos, em um daqueles jogos que explicam por que o futebol ainda mantém as velhas hierarquias. Teve sofrimento, teve susto, foi quase um vexame. Mas foi, acima de tudo, uma vitória de Carlo Ancelotti.

O Japão saiu na frente e expôs as velhas fragilidades brasileiras. Compacto, disciplinado e sem qualquer complexo de inferioridade, aproveitou um vacilo de Danilo e Casemiro para abrir o placar. No intervalo, o tribunal das redes sociais já havia condenado Casemiro. Amarelado, lento e longe de sua melhor atuação, virou o alvo preferido dos críticos. A substituição parecia inevitável. Era a decisão mais óbvia e, convenhamos, a mais prudente. Mas Ancelotti preferiu confiar na experiência de um jogador que ainda dá peso a uma seleção que parece carecer justamente de liderança. Poucos minutos depois, Casemiro respondeu da melhor maneira possível: subiu mais alto que a defesa japonesa e empatou a partida.

Depois veio a segunda demonstração de sangue frio do italiano. Em vez de ceder ao clamor por Neymar, Ancelotti lançou Gabriel Martinelli. Não era a troca que a torcida pedia, mas a que o jogo exigia. Martinelli mudou a dinâmica do ataque, embaralhou a defesa japonesa e devolveu profundidade a um Brasil previsível. Nos acréscimos, fez o gol da classificação. Pela segunda vez na partida, Ancelotti fez a diferença.

Mas voltemos à mística da camisa. É claro que ela pesa. Pesa porque há cinco estrelas no peito, porque o adversário sabe que, contra o Brasil, o jogo nunca acaba enquanto não termina. Pesa porque existe uma história inteira empurrando a bola para dentro.

E fica uma lembrança ao jogador japonês – qual é mesmo o nome do ilustre desconhecido? – que disse que o Brasil não é mais o mesmo: talvez não seja mesmo. Já não encanta como antes, já não assusta como antes, já não passeia como antes. Mas ainda tem uma mania antiga, irritante e profundamente brasileira: quando parece morto, levanta. O Japão achou que tinha encontrado um Brasil menor. Descobriu, da forma mais dolorosa possível, que até um Brasil imperfeito continua sendo o Brasil.

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