Cheiro de maconha, influenciadores e barulho: as polêmicas fora das quadras do US Open
Aryna Sabalenka reclamou de cheiro de maconha na quadra principal e árbitros pediram para criadores de conteúdo fazerem silêncio durante partida
O US Open 2026 tem chamado atenção por motivos fora das quadras azuis do Billie Jean King National Tennis Center. Barulho, cheiro de maconha e interrupções de influenciadores ganharam holofotes no Grand Slam nova-iorquino, na contramão da etiqueta do tênis tão preservada pelos torneios na Europa.
Na última sexta, 4, a atual campeã do torneio e líder do ranking, Aryna Sabalenka, se queixou do cheiro de maconha durante uma partida no Arthur Ashe Stadium, principal quadra do complexo. A tenista bielorrussa se aproximou da árbitra Eva Asderaki-Moore e disse “Alguém está fumando maconha, então por favor… porque o cheiro é muito forte”. Posteriormente, à imprensa, a atleta explicou que o incidente não foi tão inoportuno, e que não se importa com o que as pessoas fazem, mas pediu que não fumassem maconha dentro de uma quadra de tênis.
Na partida entre Jakub Mensik e Learner Tien, um torcedor bêbado precisou ser retirado das arquibancadas.
“Antes, não era permitido entrar ou sair das arquibancadas durante os pontos, exceto nas trocas de lado. Agora, elas entram de qualquer jeito, ficam andando, conversam. É o torneio que tolera esse comportamento, e não sei se essa é a melhor ideia para o tênis de modo geral”, comentou o veterano tenista francês Adrian Mannarino, de 38 anos. “Sente-se o cheiro de maconha na quadra, tem barulho por todos os lados, isso está se transformando em um zoológico. São condições realmente particulares para jogar”, acrescentou.
O italiano Flavio Cobolli falou sobre a questão do barulho durante as partidas no complexo em Nova York: “Nós sempre costumávamos jogar em silêncio, ninguém se mexia, ninguém falava, com uma atmosfera incrível. Aqui é realmente diferente. Temos uma atmosfera ótima, mas é muito, muito barulhenta. Para nós, é muito difícil jogar assim. Talvez tenhamos que jogar dessa maneira por mais semanas, porque, se você vem para cá e há regras diferentes, fica muito difícil para nós. É claro que não perdi por causa do barulho.”
Influenciadores inconvenientes
Outros tenistas sabem bem a fonte do barulho que atrapalha suas partidas: influenciadores. No jogo entre a quatro vezes campeã de Grand Slams, Naomi Osaka, e a russa Anastasia Zakharova, o árbitro de cadeira, Kader Nouni, precisou pedir para que pessoas da plateia parassem de usar ring lights (luzes de iluminação para vídeos) e fizessem silêncio. Em vídeos nas redes sociais, duas mulheres aparecem usando o dispositivo de iluminação em meio ao jogo, e outro grupo maior de influenciadores fala alto durante a gravação de um vídeo em um nas arquibancadas.
The umpire had to tell a bunch of influencers to be quiet as they posed for pictures mid point in the Naomi Osaka match.
I hate what Tennis is becoming.#usopen pic.twitter.com/1gjupAyBRN
— Pavvy G (@pavyg) September 2, 2026
“O árbitro disse para o público fazer silêncio mais vezes do que já vi um árbitro pedir silêncio para o público. Na minha primeira partida, tinham pessoas gritando e você podia escutá-las claramente”, relatou Osaka em entrevista após vencer a adversária.
A tenista dona da casa, Jessica Pegula, também entende o “ponto de vista do lado” dos influenciadores, mas comentou sobre um limite deste tipo de comportamento: “Eu realmente acho que é complicado quando você vê vídeos como aquele, em que as pessoas ficam tirando fotos e usando as luzes de selfie”, disse Pegula.
“Tem gente ali embaixo tentando competir, e isso é a carreira e o trabalho delas. Parece um pouco desrespeitoso. Acho que este ano talvez tenha passado um pouco dos limites, pelo menos é essa a sensação que tenho. Não sei”, completou.
Outra americana, a atual número 4 do mundo, Coco Gauff comentou: “Eu definitivamente acho legal ter um novo público e, sem dúvida, isso ajuda a fazer o esporte crescer.”
“Mas, se você fosse convidado para um tapete vermelho, não apareceria de jeans”, disse a tenista. “Acho que é simplesmente uma questão de respeitar a etiqueta do esporte. Só isso.”
Apesar do incômodo de alguns tenistas, a maior presença de criadores de conteúdo nas arquibancadas partiu de iniciativa da própria organização do torneio. Cem influenciadores receberam credenciamento de mídia por parte do US Open para divulgar a competição e alcançar novos públicos.
Há quem não veja mal na ação: “Acho que o US Open é ótimo porque recebe todo tipo de pessoa que quer vir assistir ao tênis”, disse o americano Frances Tiafoe. “Não tenho problema nenhum com o que quer que as pessoas façam, desde que venham assistir ao tênis.”
O russo Daniil Medvedev comentou na mesma linha: “Acho que, quanto mais tentarmos aumentar a visibilidade do tênis, melhor será; quanto mais popular for o esporte, melhor”, disse o russo.
“Quanto mais o esporte crescer, melhor. Confio na USTA (United States Tennis Association) e no trabalho que eles estão fazendo”, disse. “Acho que há muito mais aspectos positivos do que negativos, então vamos em frente.”
Em contrapartida ao “estilo americano”, Wimbledon deve manter a etiqueta do tênis sem a presença de influenciadores. Segundo a Press Association via ESPN, o Grand Slam inglês não concederá credenciais de mídia a influenciadores e criadores de conteúdo e o All England Club, onde é realizado o torneio deve confiscar itens, como ring lights, que possam ser usados para atrapalhar as partidas.






