Conheça os gêmeos bons de briga à frente da seleção do Egito
Hossam e Ibrahim Hassan jogaram juntos a Copa de 1990 e agora são técnico e diretor-técnico do time de Salah
O Egito enfrenta a Argentina nesta terça-feira, 7 de julho, às 13h (de Brasília), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no Estádio de Atlanta. É a primeira vez que o país chega a essa fase do torneio e, nos Estados Unidos, todos os holofotes estão no craque Mohamed Salah, atacante que recentemente deixou o Liverpool depois de ganhar todos os títulos possíveis com o time inglês.
No Egito, o rosto da seleção é outro. Dois rostos, na verdade, mas iguais, pois estamos falando dos irmãos gêmeos Hossam e Ibrahim Hassan.
Hossam é o técnico da seleção, e Ibrahim, cinco minutos mais velho, é o diretor técnico. Mas entre as décadas de 1980 e 2000 os dois formaram uma dupla de artilheiro e lateral que a imprensa egípcia até hoje trata simplesmente como “Os Gêmeos”. São inseparáveis, a ponto de sempre terem exigido jogar juntos em todos os clubes pelos quais passaram. Foram 22 anos atuando lado a lado, em seis times diferentes, até que Ibrahim se aposentou e Hossam ainda esticou a carreira até 2008. Quando o Al-Ahly, maior clube do país, optou por não renovar com Ibrahim, Hossam foi junto para o rival Zamalek, aos 34 anos. Lá, os irmãos ganharam mais nove títulos. Depois de vencer um clássico contra o ex-clube, Ibrahim desabafou: “Qualquer um que for contra Hossam e Ibrahim, que Deus faça a terra engoli-lo”.
De camiseta preta, ombros largos e cabeças que parecem esculpidas, eles caminham à beira do gramado como se fossem treinadores de boxe esperando a próxima confusão. A cena se repete nas coletivas: enquanto o protocolo manda que dirigentes fiquem afastados do centro das atenções, Ibrahim prefere circular pela sala de imprensa e, se não gosta da pergunta, não se furta a berrar com os jornalistas para defender o irmão.
Mas não é porque são gêmeos, brigões e veteranos que seu país natal os enxerga como um símbolo do time. Hossam ainda é o maior artilheiro da história da seleção egípcia, com 69 gols em 177 jogos, um só a mais do que Salah. Está entre os 10 maiores artilheiros da história do futebol africano, à frente de nomes como George Weah e Asamoah Gyan. Ibrahim, lateral-direito ferozmente defensivo mas com vocação ofensiva, também deixou sua marca: em 1991, vestindo a camisa 10 do modesto Neuchâtel Xamax, da Suíça, marcou um gol de falta no ângulo que garantiu a vitória mais famosa do clube, contra o Real Madrid, na Liga dos Campeões.
Os dois jogaram juntos a Copa de 1990, na Itália. Empataram com Holanda e Irlanda, e se despediram com uma derrota para a Inglaterra.
O temperamento forte rendeu tanta fama quanto controvérsia. Ibrahim nunca venceu a Copa Africana de Nações, torneio que o irmão levantou três vezes como jogador; em 1998, no auge da carreira, ficou de fora por suspensão da federação egípcia depois de fazer um gesto obsceno para torcedores marroquinos numa eliminatória. Em 1996, uma briga generalizada num amistoso no Líbano levou o Exército a intervir, e Ibrahim chegou a tomar o rifle das mãos de um oficial. No mesmo ano, os gêmeos agrediram um policial em uma boate. Em 2008, já como dirigente, Ibrahim foi banido por cinco anos pela Fifa por agredir um árbitro num jogo na Argélia. Em 2016, foi Hossam quem destruiu ao vivo a câmera de um fotógrafo, ao xingá-lo e agredi-lo.
A escolha da dupla para comandar a seleção em 2024 dividiu opiniões no Egito. Apesar do currículo invejável nos campos, o retrospecto da dupla no comando não inspira confiança. Em 15 anos, nenhum dos dois havia sido campeão de nada, seja como auxiliar, técnico ou diretor. Tem dado certo. Em dois anos, a seleção conta com 70% de aproveitamento em 28 jogos, com uma única derrota diante de time africano, para o Senegal, na semifinal da última Copa Africana de Nações.
O maior feito foi levar o time pela primeira vez ao mata-mata da Copa. Empataram em 1 a 1 com a Austrália, e passaram na disputa de pênaltis. Tentam agora a primeira vitória em jogo eliminatória, e uma inédita ida às quartas de final. Pela frente, o time de Messi. MAs Ibrahim parece não dar bola para o craque argentino. “Eles têm o Messi, nós temos o Mohamed Salah, e mais 26 Messis no elenco, jogadores de altíssimo nível. Venceremos”.
Quem avançar entre Egito e Argentina pega o vencedor do confronto entre Suíça e Colômbia nas quartas de final.
EM UM SÓ LUGAR






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