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Iraniano processa a Fifa em 1 bilhão de dólares

Cientista-político sem relação com a federação exige indenização por gol anulado que classificaria o Irã para as oitavas de final da Copa

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 2 jul 2026, 13h31 | Atualizado em 2 jul 2026, 13h34
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Imagina se a moda pega. Nesta quinta-feira, 2, Kaveh Lotfollah Afrasiabi, cientista político iraniano-americano, entrou com uma ação judicial pedindo 1 bilhão de dólares em reparações contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e outros dirigentes da entidade, em um tribunal federal na cidade de Boston. Ele acusa o órgão de ter impedido a seleção iraniana de avançar às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 por meios ilegais.

A ação pede reconhecimento como uma ação coletiva em nome de milhões de cidadãos iranianos e iraniano-americanos que acompanharam a seleção no torneio. Afrasiabi sustenta que a anulação de um gol iraniano nos acréscimos da partida contra o Egito pelo VAR foi deliberada e privou o Irã da vitória e da classificação aos 16 avos de final.

O gol marcado por Shojae Khalilzadeh, que teria dado ao Irã a vitória por 2 a 1, foi anulado por impedimento após revisão do VAR. Além de contestar a decisão de arbitragem, a ação alega que a Fifa discriminou o Irã ao longo do torneio — citando restrições de viagem impostas pelo governo americano, mudança da base de treinamentos para o México e recusa de visto a 11 membros da delegação. Afrasiabi, de 68 anos, é ex-professor de Harvard e ex-conselheiro da equipe de negociação nuclear do Irã durante o governo Barack Obama. A Fifa não se pronunciou sobre o processo.

O que talvez Afrasiabi não saiba é que a Fifa está preparada para casos como esse. O estatuto da entidade prevê a suspensão automática de federações nacionais quando governos ou tribunais interferem diretamente em questões esportivas, como é o caso de uma anulação de gol por impedimento – correta, diga-se de passagem. As consequências seriam devastadoras, com corte total de verbas da Fifa, proibição de a seleção disputar competições internacionais, incluindo futuras Copas do Mundo, e exclusão dos clubes iranianos dos torneios continentais. 

O risco, portanto, não é apenas para a Fifa, mas para o próprio futebol iraniano. Essa moda não vai pegar.

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