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Lula errou feio ao transformar Neymar em alvo de lacração

No Brasil polarizado, até contusão na panturrilha vira disputa ideológica

Por Amauri Segalla Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jun 2026, 09h45 | Atualizado em 22 jun 2026, 10h55
Lula errou feio ao transformar Neymar em alvo de lacração Priorizar nos meus resultados Google

Há muitas críticas que podem ser feitas a Neymar. Algumas justas, outras exageradas. Pode-se discutir seu desempenho recente, suas lesões, suas escolhas profissionais ou até sua atuação fora dos gramados. Tudo isso faz parte do debate público em torno do principal nome da seleção brasileira dos últimos anos. O que não faz sentido é ver o presidente da República entrar nessa arena para lacrar, como se estivesse disputando curtidas nas redes sociais.

Ao chamar Neymar de jogador “home office”, Lula cruzou uma fronteira desnecessária. Não porque presidentes não possam fazer piadas, nem porque figuras públicas devam ser blindadas contra críticas. Mas porque existe uma diferença evidente entre exercer a Presidência e usar o peso do cargo para ridicularizar um atleta que representa o país em uma Copa do Mundo. Afinal, Lula está torcendo a favor ou contra a seleção?

O Brasil tem desafios muito maiores do que a contusão de Neymar. A economia cresce menos do que poderia. Reformas importantes continuam pendentes. O ambiente internacional está longe de ser tranquilo. Nesse contexto, soa estranho ver o presidente gastar energia para debochar de um atleta. Qual é, afinal, o benefício institucional dessa atitude?

A piada de Lula produz um efeito colateral óbvio, e é difícil não suspeitar que esse fosse justamente o objetivo do presidente. Ela transforma o futebol em campo de batalha ideológica. Nos últimos anos, Neymar – por mais absurdo que isso pareça – passou a fazer parte do debate político. A esquerda não perde uma chance de atacá-lo. Para a direita, o jogador virou um ativo eleitoral. No fim, o futebol desaparece e sobra apenas a insuportável, tóxica e estéril polarização.

O papel de um presidente não é ampliar divisões que já existem. É exatamente o contrário. É por isso que a piada sobre Neymar soa tão inadequada. Ela não aproxima ninguém, não resolve nada e não produz qualquer benefício para quem quer que seja, nem mesmo para Lula. Serve apenas para reforçar antagonismos em um país exausto de conflitos permanentes.

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Uma última observação: parece que Neymar logo entrará em campo. Já o bom senso segue sem previsão de retorno.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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