Oferta Dia dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 32,90

Na seleção sem craques, só Galvão Bueno salva

"É tetra", "gol da Alemanha": a Copa sem ele não tem a menor graça

Por Amauri Segalla Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jun 2026, 08h27
Na seleção sem craques, só Galvão Bueno salva Priorizar nos meus resultados Google

Copa do Mundo sem Galvão Bueno não tem a mesma graça. Não importa quantas tecnologias existam, quantos narradores talentosos apareçam ou quantas transmissões sejam produzidas com padrão cinematográfico. Quando a seleção brasileira entra em campo e eu não escuto aquela voz imediatamente reconhecível, sempre tenho a sensação de que está faltando alguma coisa.

Galvão deixou de ser apenas um narrador há muito tempo. Ele se tornou um personagem da história da seleção brasileira. Para milhões de torcedores, as lembranças das Copas do Mundo não estão associadas apenas aos gols, aos títulos e às derrotas, mas também à maneira como aqueles momentos foram narrados. É impossível ouvir “É tetra! É tetra! É tetra!” sem voltar instantaneamente a 1994.

Nem mesmo os momentos mais traumáticos escapam desse fenômeno. O 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, foi tão devastador que acabou produzindo uma espécie de folclore nacional. A expressão “gol da Alemanha”, pronunciada por Galvão ao longo daquela noite surreal no Mineirão, ganhou vida própria. Até hoje, sempre que a Alemanha marca um gol em Copas do Mundo, recebo em grupos de WhatsApp áudios com o inconfundível “gol da Alemanha”. Não importa se o lance aconteceu dez ou vinte anos depois. A frase continua funcionando como uma mistura de piada e lembrança indigesta.

Mas não são apenas os momentos gloriosos e os bordões históricos que fazem falta. Os defeitos também. As confusões com nomes de jogadores, as previsões equivocadas, os exageros, as reclamações intermináveis contra árbitros e técnicos. Tudo isso faz parte do personagem. Galvão nunca foi um narrador preocupado em parecer imparcial. Sua grande qualidade era justamente a incapacidade de esconder o que sentia. Quando a seleção encantava, ele se empolgava. Quando jogava mal, ele reclamava. Quando faltava ambição, ele cobrava. E quando o torcedor estava indignado, ele dizia em voz alta aquilo que milhões de brasileiros estavam resmungando diante da televisão.

Continua após a publicidade

De certa forma, Galvão presta um serviço terapêutico ao país. Ele desopila o fígado do torcedor. Quantas vezes a seleção entrou em campo sem jogar absolutamente nada e Galvão disse exatamente aquilo que a audiência inteira gostaria de dizer? Essa identificação ajudou a construir uma relação que vai muito além da simples narração esportiva. Porque, para uma enorme parcela dos brasileiros, a Copa nunca foi apenas futebol. Ela sempre teve uma voz. E essa voz atende pelo nome de Galvão Bueno.

Publicidade
TUDO SOBRE A COPA,
EM UM SÓ LUGAR

VER COBERTURA COMPLETA

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA RELÂMPAGO

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).