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“O esporte uniu o Congresso”, diz diretor-geral do COB

Campeão olímpico de vôlei de praia, Emanuel Rego, é diretor-geral do Comitê Olímpico Brasileiro desde janeiro

Por Emanuel Rego* 1 ago 2025, 08h00
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Em tempos de uma Brasília em ebulição (e quando não está?), o esporte mostrou, há duas semanas, que existe caminho para a união de forças em prol da sociedade. Tanto a câmara dos deputados quanto o senado aprovaram, de maneira unânime, o projeto de lei 234/24, que transforma a Lei de Incentivo ao Esporte em uma política permanente. Como diretor geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB), estive no congresso acompanhando a tramitação em ambas as casas e pude ver de perto todos os partidos trabalhando em conjunto pela aprovação em regime de urgência. Deputados e senadores mostraram que acreditam no esporte como política de desenvolvimento social do Brasil e impacta diversas áreas, como a saúde, educação e a segurança pública. Nós, que somos do esporte, sabemos disso desde sempre.

Quem não é do esporte talvez não perceba o tamanho da recente vitória. Implantada em 2007, a Lei de Incentivo ao Esporte transformou a prática esportiva em nosso país, com mais de 15 milhões de pessoas beneficiadas em todo país ao longo desses anos. Apenas em 2024, 6.664 projetos foram apresentados, sendo 52% deles com motivação educacional. Esses números nos mostram que hoje não é possível pensar em desenvolvimento esportivo no Brasil sem a LIE.

Agora, faltando apenas a sanção presidencial do projeto aprovado no legislativo, podemos pensar em projetos perenes, uma vez que a Lei de Incentivo ao Esporte será permanente, e não mais discutida de cinco em cinco anos – podendo até ser ‘cancelada’, caso o governo tenha déficit primário em suas contas. Mais que isso, o aumento de 2 para 3% no percentual de dedução para pessoas jurídicas e a eliminação da ‘concorrência’ que o esporte tinha com outras áreas, como cultura, audiovisual, proteção infantil e reciclagem (o esporte deixa de ‘competir’ dentro de um único teto de dedução, possuindo agora o seu próprio), proporcionará um aumento exponencial de iniciativas apoiadas pela LIE em todo o Brasil.

O COB iniciou uma nova gestão em janeiro deste ano, e trouxemos como lema a transformação do Brasil em uma Nação Esportiva. Trabalhar para unir entes públicos e privados em prol do aumento da prática esportiva em geral, em todas as faixas etárias, em todas as modalidades. Um país que pratica esporte, consome esporte. Acompanha, torce e engaja. Todo esse processo tem relacionamento direto com o alto rendimento. Para sermos uma potência olímpica, precisamos aumentar a base de praticantes, principalmente em esportes não tão conhecidos pelos brasileiros. E essa engrenagem só gira com a Lei de Incentivo ao Esporte.

Para atingirmos nosso objetivo, a prática esportiva deve estar difundida em todas as regiões, do Norte ao Sul. Quantas vezes já não ouvimos que o Brasil possui milhares de talentos escondidos por aí? Como um Isaquias, nosso ídolo da canoagem, que foi descoberto em um projeto social em Ubaitaba, na Bahia. Nenhuma iniciativa é tão abrangente e permite essa difusão esportiva em nosso país quanto a Lei de Incentivo ao Esporte.

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Sabemos que precisamos aumentar a presença de projetos e iniciativas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que tiveram 35% dos projetos apresentados à LIE em 2024. E o COB quer ser protagonista nesse processo. Assim como lideramos uma comitiva do esporte olímpico em Brasília na última semana, unindo confederações, atletas, ex-atletas, clubes e outras entidades, o Comitê Olímpico do Brasil estará a frente dessa expansão, transferindo conhecimento, oferecendo capacitação e estando disponível para quem faz o esporte no dia a dia, no front dessa batalha.

A união da câmara e senado foi mais que uma vitória histórica. Foi uma mensagem importantíssima, um farol que indica o caminho a ser seguido daqui em diante. Somente mantendo essa unidade levaremos o Brasil ao seleto grupo das Nações Esportivas, as famosas potências olímpicas. Não será da noite para o dia, nem em um ou dois ciclos olímpicos, mas é uma evolução 100% possível. Principalmente com o cenário que a aprovação da LIE permanente nos trouxe.

Como esportista, que defendeu o Brasil pelas arenas de vôlei de praia em todo o mundo por mais de 30 anos, posso garantir que a resiliência e o trabalho a longo prazo dão resultado. Conquistamos um ponto importantíssimo, depois de um rally demorado, mas ainda estamos no primeiro set. Temos que manter o foco e o trabalho duro para vencer esse jogo. Juntos, sempre.

*Emanuel Rego é Diretor Geral do COB, além de campeão olímpico e mundial de vôlei de praia

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