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O fantasma que assombra os ingleses na Cidade do México

A partida das oitavas de final contra os donos da casa seria difícil - mas há um aspecto nostálgico que torna tudo ainda mais dramático

Por Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 jul 2026, 15h21
O fantasma que assombra os ingleses na Cidade do México Priorizar nos meus resultados Google

Na Cidade do México a expectativa pesa como chumbo no ar para a partida de oitavas de final, no domingo, entre os donos da casa e a Inglaterra – e do duelo pode despontar o adversário da seleção brasileira nas quartas de final, caso a canarinho vença a Noruega. Com o fuso horário, o jogo terá início à uma da madrugada no horário londrino, já na segunda-feira de trabalho normal. O demissionário primeiro-ministro Keir Starmer, que briga na política e se enrosca na economia, como não é bobo nem nada, tratou de assinar um decreto autorizando os pubs a funcionarem na madrugada.

A ansiedade tem motivo. Não é um encontro qualquer contra o México. Haverá três ou quatro rivais em campo: o sólido escrete tricolor, com apoio de uma torcida mercurial; a altitude de 2 240 metros de altura da capital e os fantasmas do Azteca. Eis o que mais assombra a turma da pesada de Harry Kane. Os inventores do futebol retornam ao Azteca depois de 40 anos, quatro décadas da derrota para a Argentina de Diego Armando Maradona pelas quartas de final do torneio. Foi a tarde em que Maradona fez o gol com “la mano de Diós”. Sabendo da travessura, das críticas que receberia, ele tratou de marcar um segundo na vitória por 2 a 1, o mais bonito da história de todas as Copas, um gol de Deus.

É tema inescapável. Logo depois de despachar o Congo, com dois gols de Kane, os ingleses responderam a uma ou duas perguntas do que passara nos 90 minutos – e então foram transportados ao passado. Declan Rice, o volante de 27 anos do Arsenal – nascido, portanto, em 1999 – foi levado a entrar no túnel do tempo, como quem revisita a rainha Vitória. “Sim, sempre ouvi falar daquela partida, do estádio Azteca, do ambiente que vamos encontrar”, disse. “Será espetacular”. Anthony Gordon, de 25 anos, que acaba de trocar o Newcastle pelo Barcelona, também teve de olhar para trás. “Imagino uma atmosfera que nunca vivi em toda a minha vida”, afirmou.

Há momentos mágicos da bola, e aquela tarde de 22 de junho de 1986 está entre elas. Ingleses e argentinos, fora de campo lidavam com as memórias de 1982, da Guerra das Malvinas, de acordo com a denominação da ditadura de Leopoldo Galtieri, ou Guerra das Falklands, ao modo de Margareth Thatcher. No gramado, o clima era bélico, embora esportivo. Ao menos até o apito final. Depois, havia uma fila de jogadores da Inglaterra implorando pela camisa 10 de Maradona. Sabiam todos o que havia ocorrido, e fora magistral.

Quem conseguiu o troféu foi o meio-campista Steve Hodge. A camisa seria depois leiloada por 8,5 milhões de dólares. Hodge escreveria um livro autobiográfico cujo título é… “O homem com a camisa de Maradona”. No volume, ele lembra do encontro de três ingleses – Terry Butcher, Gary Stevens e Kenny Sansom – na sala de controle anti-doping. Ali encontraram com Maradona. Como nenhum deles falava espanhol e o argentino, nada de inglês, por meio de gestos tentaram se entender. “Mão ou cabeça?”, perguntou Butcher. “Cabeça”, respondeu Maradona. El Diez estará de olho no jogo deste domingo, 5.

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Capa de livro com Steve Hodge sorrindo no topo e, abaixo, Maradona de camisa azul e Hodge de camisa branca disputando a bola em campo de futebol
O livro do inglês Steve Hodge: ótimo negócio (Steve Hodge/Reprodução)

 

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