Os jogadores que decidiram enfrentar o mercado de bets
Atletas travam batalha judicial contra casas de apostas
O ex-atacante do Palmeiras Ricardo Bueno e os jogadores Guilherme Marques, do Atlético-GO, Gabriel Barros, do América-MG, e Gustavo Vilar, do Botafogo-SP, obtiveram decisões liminares para impedir que casas de apostas utilizem seus nomes e imagens em mercados de apostas individualizadas, como os relacionados a gols, cartões amarelos e número de faltas.
As ações foram movidas contra plataformas como Betano, Bet365, Verabet e Cassino Bet e podem abrir precedente para novos processos sobre os limites da exploração comercial da imagem de atletas pelas empresas do setor.
De acordo com o advogado Marcelo Robalinho, que representa os atletas, a discussão não questiona a legalidade das apostas esportivas, mas o uso da identidade dos jogadores como parte do produto comercializado.
“São diversos tipos de apostas que são oferecidas por esses sites. A nossa ação bate na questão de quando você individualiza o atleta, porque aí a pessoa não está mais apostando no resultado, vitória ou empate. Ela está apostando que determinado atleta vai tomar o cartão amarelo, ou vai fazer um gol, ou vai fazer mais de cinco faltas. Isso personaliza no atleta aquele produto dela, que é a aposta, ao usar o nome do jogador, toda a carreira que ele construiu”, explica Robalinho.
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Além da questão envolvendo os direitos de imagem, as ações também apontam os impactos desse tipo de aposta na rotina dos atletas. Segundo o advogado, jogadores têm sido alvo de cobranças, ofensas e até ameaças de apostadores insatisfeitos com o desempenho em campo.
“Nós temos casos de atletas que são ameaçados em rede social, com mensagens do tipo: ‘Apostei que você faria o gol, você errou o pênalti, agora fico no prejuízo, você tem que me indenizar, você tem que me pagar pelo que aconteceu, qualquer coisa eu vou aí no treino’. Isso coloca o atleta em uma situação temerária, de risco, para um caso que o jogador não anuiu de participar, de ser o produto daquela aposta”, contou.
Apesar das decisões judiciais, a defesa afirma que as plataformas ainda não retiraram os nomes e atributos dos atletas dos mercados de apostas. Diante do descumprimento das liminares, os advogados estudam pedir a aplicação de multas diárias e, em último caso, o bloqueio do acesso aos sites caso as ordens continuem sendo ignoradas.
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