Os segredos inesperados da maior das Copas
Quatro surpresas decorrentes da disputa com 48 seleções em 104 partidas
O formato da Copa mais inchada de todos os tempos, com 48 seleções – e não mais 32 – fará o número de partidas subir de 64 para 104. Os finalistas disputarão oito jogos, e não sete. Haverá, pela primeira vez uma fase de 32 avos de final, antes do mata-mata das oitavas. O inédito desenho, com doze grupos de quatro times, terá fenomenal impacto. Saiba, a seguir, as surpresas que podem despontar.
A vez dos azarões
Os dois primeiros colocados de cada grupo passam da fase inicial para a de 32 avos – avançam também os oito melhores terceiros lugares, e então será para valer. Do ponto de vista matemático e prático: um time com apenas uma vitória tem 67% de chances de seguir em frente. Seleções como Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Haiti, por exemplo, tendem a entrar em campo muito bem organizadas na defesa – de modo a brigarem por um mísero gol, em busca de vitória, ou derrota por placar estreito. Como provavelmente entrarão em campo com chance apenas de serem terceiros do grupo, brigarão por espaço ao sol até o último jogo. Cabo Verde, que talvez seja o melhor exemplo, certamente jogará de forma extremamente retrancada contra a Espanha e o Uruguai, e depois partirá para o ataque contra a Arábia Saudita. Qualquer goleada de verdade poderá acontecer na última partida da fase de grupos, quando as seleções mais fracas perceberem que precisam atacar.
O palco dos artilheiros
O artilheiro de toda Copa, por evidentes motivos, é sempre de uma seleção que chega pelo menos até a semifinal. Uma exceção, em 1994, na outra Copa americana: o russo Oleg Salenko dividiu a Chuteira de Ouro com o búlgaro Hristo Stoichkov, apesar de sua seleção não ter passado da fase de grupos. Salenko fez seis gols em uma única partida, na vitória por 6 a 1 contra Camarões. Um jogador cujo time chega às quartas de final costumava disputar cinco partidas — agora, ele disputará seis. E, considerando que a partida “extra” é, na prática, um jogo da fase de grupos contra um time de qualidade questionável, há grandes chances de um jogador que não chegue muito longe na competição ainda terminar como goleador.
Há ainda um outro aspecto, que tende a bagunça a história da estatística em Copas. E se Mbpappé, autor de 12 gols em dois mundiais, encasquetar de ir para cima do Iraque como nunca, pondo bolas na rede como quem devora croissants matinais? Ou então, ainda no grupo I, se o vigoroso viking Erling Haaland decidir fazer a fama conta os iraquianos? Seriam gols com facilidade que não se via em torneios do passado.
As zebras virão antes
Os primeiros 16 jogos eliminatórios terão, com certeza, equipes teoricamente fracas – mas que podem provocar estrondos. Por hipótese, e apenas por hipótese: se o Brasil ficar em primeiro de seu grupo, o C, e o Japão em segundo no F, as duas equipes duelarão na fase de 32 avos – e uma vitória japonesa, além de pôr fim ao hexa, seria a mais falada das zebras.
O impacto da surpreendente vitória da Arábia Saudita por 2 a 1 sobre a Argentina na fase de abertura da Copa do Mundo de 2022 foi atenuado porque ambas as seleções ainda tinham duas partidas da fase de grupos para disputar. No fim, a Arábia Saudita foi eliminada, a Argentina se classificou e acabou conquistando o título. Mas se houver uma zebra semelhante desta vez, os favoritos estarão fora.
É claro que os verdadeiros azarões não chegarão a esta fase. Mas o novo formato pode favorecer as equipes de classificação intermediária.
Os times serão muito mexidos.
Historicamente, os treinadores costumavam tentar escalar sua equipe mais forte desde o início de uma Copa do Mundo, fazendo alterações apenas quando necessário devido a lesões, suspensões ou razões táticas. Agora será diferente. Os adversários mais fracos da fase de grupos oferecem à seleções mais fortes oportunidades para utilizar os reservas sem perder pontos. Além disso, a duração prolongada do torneio — e as condições climáticas, de calorão fenomenal — é motivo para manter os melhores jogadores descansados.
Há ainda um outro aspecto, e certamente Carlo Ancelotti se aproveitará dele: há mais espaço para os treinadores encontrarem a sua equipe ideal ao longo da competição. E não há dúvida: tantos jogos, mas tantos mesmos, autorizarão mudanças mais frequentes de postura. A Escócia, por exemplo, terá um plano de jogo completamente diferente contra o Brasil em comparação com o Haiti — 83.º classificado no ranking mundial. Em 2022, a campeã Argentina usou 24 jogadores, à exceção dos goleiros reservas. É o que pode acontecer com a maioria dos times que chegaram aos jogos finais, inclusive o Brasil.
TUDO SOBRE A COPA,
EM UM SÓ LUGAR







