Pep Guardiola no Manchester City: série documental expõe divórcio, lágrimas e atritos
Dirigido por Kevin Macdonald, 'A Beautiful Obsession' revela a vulnerabilidade e o desgaste do treinador em suas últimas duas temporadas no clube inglês
A Prime Video acaba de lançar na Europa a série documental em quatro episódios A Beautiful Obsession, que retrata a dramática derrocada tática e psicológica das duas últimas temporadas de Pep Guardiola no comando do Manchester City (2024–2026). Coproduzido pela City Studios e dirigido pelo cineasta Kevin Macdonald, o projeto expõe os vestiários da equipe. A obra capta o choque entre o esgotamento profissional de um elenco multicampeão e a intensa crise pessoal vivida pelo técnico espanhol.
No outono de 2024, o City enfrentou sua pior sequência sob o comando de Guardiola, sofrendo nove derrotas em treze jogos. O estresse se refletia no treinador, que nos bastidores passava por um doloroso divórcio de sua esposa Cristina Serra. Em dezembro daquele ano, após perder para a Juventus, Guardiola confessou a separação aos jogadores no vestiário de forma visceral para cobrar paixão do grupo: “Divorciei-me da minha esposa. Eu a amava inacreditavelmente, mas perdemos a paixão… Não quero bons jogadores, quero jogadores com paixão”. Seu assistente, Manuel Estiarte, precisou intervir junto ao elenco para explicar que Pep estava “extremamente sensível e triste” por ser “um ser humano fraco passando por um divórcio”.
As tensões táticas abalaram a relação com lideranças do grupo. Após uma derrota por 2 a 0 contra o Liverpool, o treinador apontou um erro do capitão Kyle Walker. O zagueiro reagiu de forma explosiva: “Você fala meu nome em toda porra de reunião!”. Quando Guardiola justificou dizendo que a cobrança vinha por ele ser o capitão, Walker rebateu: “Você não queria que eu fosse capitão”. Visivelmente emocionado, Guardiola respondeu à equipe com a voz embargada: “Se eu sou o problema, me digam… Eu estendi o contrato porque queria lutar com vocês”. Walker acabou perdendo espaço e foi transferido em 2025.
A cobrança implacável de Guardiola também atingiu o principal goleador do time, Erling Haaland. O documentário revela um momento de extrema tensão no vestiário durante o intervalo da final da Copa da Inglaterra (FA Cup) contra o Crystal Palace, no estádio de Wembley. Incomodado com a postura do atacante norueguês, o treinador o cobrou de forma ríspida perante o elenco: “Você está cansado? Se não está, por que não está lutando por cada bola na final? Eu te amo como um filho, mas prove em campo sua vontade de vencer”.
Outro momento dramático ocorreu em novembro de 2025, após poupar dez titulares e perder para o Bayer Leverkusen. Guardiola ameaçou demitir-se no vestiário: “Trabalho para vocês. Deixo minha vida, meu divórcio e minha família longe… E o que vocês me dão de volta?”. A polêmica rotação irritou o presidente Khaldoon Al Mubarak, que, em mensagens de voz com o CEO Ferran Soriano, admitiu estar tão furioso que não conseguia falar com o treinador. Soriano aconselhou equilíbrio diante do erro do técnico, notando que “gênios são pessoas desequilibradas”, ao que Guardiola concordou com humor autodepreciativo.
A série também ilustra a frieza administrativa da diretoria ao recusar a renovação de contrato do ídolo Kevin De Bruyne. O belga chorou copiosamente em sua entrevista de despedida: “É muito difícil. Meus filhos não querem ir”. O diretor Txiki Begiristain justificou a decisão, alegando que uma equipe precisa ter a coragem de renovar seu elenco com energias novas.
Guardiola deixou o City em maio. No encerramento, o treinador expressou o desejo de passar mais tempo com seu pai de 95 anos e vivenciar o conceito catalão de “badar” — desligar-se de tudo e ver o tempo passar. O clube agora segue sob o comando de Enzo Maresca.







